domingo, 20 de dezembro de 2015

Average Dick Club

Fiz um grande amigo este ano. Acho até que foi o único amigo que fiz desde que sou interno de especialidade. É casado há dois anos e vai fazer exame final daqui a 3 meses. Ensinou-me imensas coisas, outras aprendi escondido de o ver fazer. Se sou melhor hoje do que era há um ano é essencialmente graças a ele.
Hoje contou-me que a esposa lhe pediu o divórcio. Não sabe bem porquê. Sabe que há umas semanas que não estavam bem. Não sabe bem porquê.
Depois não há nada a acrescentar.
Este é o último post que faço neste blog. Estava a pensar guardar isso para a passagem de ano, como parte de um plano maior de reconquista e romance de filme parolo. Mas não faz sentido, estou cansado de falar sozinho.
Talvez em uma outra altura, num outro sítio, eu volte remendar linhas descosidas de todos os dias. Talvez em outra vida, sem tantos erros e tantas saudades. Talvez.
A vida é mesmo assim. Não é de mim. Não sou eu que sou especialmente bom ou especialmente mau. É mesmo assim, somos todos assim. É o que é, e o que já foi já foi.
Vou morrer como toda a gente. E alguém há-de sentir-me, no meu funeral ou num funeral parecido com o meu. Levarei tudo isto comigo como se nada disto se tratasse, ou como a mala fechada que vemos partir lentamente das cortinas sem culpa.



sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

MEC IV

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

PCF

Escolheu, depois de muito ponderar, a saia azul, bem justa, para levar ao momento mais importante da sua vida. Maquilhou-se com o cuidado de quem prepara uma bomba atómica, cada fio no seu lugar, escolheu as botas de cano alto para se sentir mais protegida, como se a pele tapada a protegesse do mundo, olhou-se a medo ao espelho no final, e esboçou o sorriso possível, os lábios trémulos e um aperto nos olhos, a ansiedade inteira a governar o corpo.
“Perdoa-me”, em frente ao espelho ele ensaiava o que tinha para dizer, “perdoa-me por algum dia ter acreditado que havia vida sem que houvesses tu”, com ar confiante, seguro de si, “quero-te para sempre e tenho a certeza de que vai saber a pouco”, e saiu para a rua, o fato impecável, os sapatos impecáveis, o amor impecável, a realidade, só ela, manchada de um erro que queria agora corrigir.
Encontraram-se no café de outrora, a mesa vazia como se os esperasse. Ele chegou primeiro, as palavras ensaiadas bem decoradas na sua cabeça, os gestos, até os gestos, pensados até ao mais último pormenor. Até que ela chegou, os passos como se pisassem pessoas, a saia azul justa e os homens todos a olhar. Ele disse o que tinha para dizer, ela ouviu o que tinha para ouvir. Quiseram os dois abraçar-se logo ali, antes que o mundo acabasse. Mas nenhum assumiu o risco. Ele esperou que ela dissesse “sim, perdoo-te”, ela esperou que ele dissesse “desculpa mas vou abraçar-te toda mesmo que contra a tua vontade”.

E o tempo certo para o momento certo perdeu-se.

Em casa, ela despiu a saia azul, descalçou as botas de cano alto e cedeu, o corpo pousado na cama como se de repente sem sangue. Ele ainda ficou no café alguns minutos, apenas a despedir-se do que não fora capaz de fazer, antes de lentamente voltar para o quarto vazio, o cheiro dela e as roupas dela, se fosse um homem corajoso teria tido a cobardia de desistir da vida.
Casaram-se e foram quase felizes para sempre. Não um com o outro, claro. Ela encontrou um homem perfeito e ele encontrou uma mulher perfeita. Foram andando e, com o tempo, foram desaprendendo a maneira como um dia correram, o que um dia os fazia correr e saltar – mas nunca andar. Vieram os filhos, novos desafios, as rugas, os netos, a pele a ceder e o tempo todo a fazer-se de episódios cada vez mais raros de paixão. Haveriam de morrer distantes, tão distantes quanto a geografia o permitia, até o tamanho insuportável de um mar a separá-los. Certo é que, estranhamente, as lápides de ambos continham o mesmo erro, “uma gralha imperdoável”, segundo os respectivos marido e mulher: a data do falecimento apontava para há mais de trinta anos, nunca ninguém conseguiu entender porquê. A inscrição, essa, imediatamente abaixo da data, é que não tinha qualquer falha.

sábado, 12 de dezembro de 2015


Call it dysfunctional

Ontem vi um documentário sobre os anos 90, a década de maior crescimento económico e da verdadeira globalização ocidental. Se calhar a década de maior perversão social generalizada.

Vi também um programa sobre pescadores de atum a competir pelo maior prémio da temporada, com suspense até ao final.


It makes no sense, it doesnt fit. If it doesnt fit, you must acquit.
Há muito tempo atrás, antes de ter carta de condução, muito antes de ter carta de condução, costumava perguntar à minha mãe se tinha prazer em conduzir. A resposta era sempre a mesma, invariavelmente. Não. Raramente. Não temos prazer com algo que fazemos todos os dias. Como em quase tudo, a minha mãe não tinha razão.
O prazer não tem relação directa com preenchimento, nem o preenchimento é sinónimo de felicidade, ou o contrário de vazio. Prazer é uma sensação confortável mal definida, de curta duração, que, mediando a indiferença, precede o vazio pelo maior intervalo possível. Preenchimento é quando damos asas à imaginação e o coração bate mais depressa durante cinco segundos. Depois pára, desaparece, já não dá. Tem um tempo refractário incerto até se repetir da vez seguinte.
O resto? O resto não é vazio nem é indiferença. Não. Isso é só quando estamos tristes. O resto são bocadinhos soltos de tempo perdido.
Não gosto de conduzir. Gosto parar o carro num local sossegado, debaixo de um candeeiro de luz amarela e fumar um cigarro de janela aberta pelo espelho adentro.

Love is a fog that burns with the first daylight of reality.

Mas arde todas as madrugadas, da mesma forma, assim, simplesmente, ardendo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015


Cheguei a casa e a minha mãe tinha acabado de montar uma mini-árvore de Natal ao lado do meu sofá. Sublinhar a palavra meu.



And ill be with you, behind the couch, when they come on a different day, just like this one.

O mundo é um lugar estranho

terça-feira, 8 de dezembro de 2015


I've been to this liquor store many of times. Great place.

My first night at this bar im writing about (thats what appeased me, attracted me). I walked in, half dead, i just went in for a beer. It wasnt even at night, it was about one in the afternoon. I walked in and that place was packed, it was in a poor neighbourhood. I sat down, drank a beer, looked around. It was packed, everybody was crazy and drunk! Theyre all drinking beer, but all of a sudden, there came a bottle flying through the air. This guy next to me turns around, he says ‘You ever do that again man, ill kill you!’ I said, Boy, this is the place i wanna be, something’s finally happening. Another bottle flew by through the air and crashed. The bartender just poured another drink, he didnt say anything. I thought, This is my Nirvana, everything’s happening... open violence, decent open violence.

CB

"we had goldfish and they circled around and around
in the bowl on the table near the heavy drapes
covering the picture window and
my mother, always smiling, wanting us all
to be happy, told me, 'be happy Henry!'
and she was right: it's better to be happy if you
can
but my father continued to beat her and me several times a week
while
raging inside his 6-foot-two frame because he couldn't
understand what was attacking him from within.

my mother, poor fish,
wanting to be happy, beaten two or three times a
week, telling me to be happy: 'Henry, smile!
why don't you ever smile?'

and then she would smile, to show me how, and it was the
saddest smile I ever saw

one day the goldfish died, all five of them,
they floated on the water, on their sides, their
eyes still open,
and when my father got home he threw them to the cat
there on the kitchen floor and we watched as my mother
smiled"

BS IX

"Passávamos, jovens ainda, sob as árvores altas e o vago sussurro da floresta. Nas clareiras, subitamente surgidas do acaso do caminho, o luar fazia-as lagos e as margens, emaranhadas de ramos, eram mais noite que a mesma noite. A brisa vaga dos grandes bosques respirava com som entre o arvoredo. Falávamos das coisas impossíveis; e as nossas vozes eram parte da noite, do luar e da floresta. Ouvíamo-las como se fossem de outros. Não era bem sem caminhos a floresta incerta. Havia atalhos que, sem querer, conhecíamos, e os nossos passos ondeavam neles entre os mosqueamentos das sombras e o palhetar vago do luar duro e frio. Falávamos das coisas impossíveis e toda a paisagem real era impossível também."

BS VIII

"(...) Quando ontem me disseram que o empregado da tabacaria se tinha suicidado, tive uma impressão de mentira. Coitado, também existia! Tínhamos esquecido isso, nós todos, nós todos que o conhecíamos do mesmo modo que todos que não o conheceram. Amanhã esquecê-lo-emos melhor! (...)"

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

domingo, 6 de dezembro de 2015

sábado, 5 de dezembro de 2015

Fumo cada cigarro como se os meus defeitos, ansiedades, projectos e arrependimentos se queimassem até ao filtro. Nunca funciona. Nem por cinco minutos. Continuo a tentar, vinte vezes por dia, mais defeito menos defeito.
Acordei para aquele texto e interpretei-o da forma exacta à que me foi transmitida no Avenida.
Vivo entre pedaços de imaginação sem correspondência nenhuma. Sou o antes do antes em todo o lado menos na minha cabeça. Chama-se obsessão. A obsessão trata-se, tem de se tratar.
Ele não usou clichés, disse simplesmente tudo aquilo que lhe pareceu pertinente. E teve razão.
Apaguei o último parágrafo. Vou estudar à tarde para o Avenida e depois logo se vê. É sempre assim. E assim é bem mais fácil.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Schnook

Acabei de responder a um inquérito intitulado: "Burnout em Médicos e Estudantes de Medicina".
O resultado final da avaliação:
1. Não estou despersonalizado.
2. Não estou desgastado emocionalmente.
3. Tenho realização pessoal.

Foda-se, sim senhor.




Não me critiquem as blusas


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

09h
Passei a noite com sonhos absurdos. Levantei-me cedo para estudar no café. A miúda da mesa da frente fuma Ventil. Virou-se para mim, sem esboçar qualquer expressão facial, e ordenou-me que lhe emprestasse o isqueiro. "Bom dia! Empresta-me o isqueiro."
Sou mesmo um menino de coro. Acho que vou começar também a fumar Ventil.

16h
Um amigo meu veio de Itália passar a semana a Coimbra. Fomos visitar uns amigos dele na casa onde vivia e que ainda não acabaram o curso. Eu já os conhecia do futebol. Um deles abriu a porta de robe, às quatro da tarde. Que nostalgia! A casa toda fodida, cheia de merdas do Mac e caixas de pizza espalhadas por todo o lado. A mesa toda porca, os sofás rasgados, um deles a almoçar uma merda que nem o meu cão comia e o outro sentado num puff, com a televisãozinha a meio gás, a coçar os tomates debaixo do pijama. Que nostalgia!
O jardim lá fora com relva praí com meio metro cheia de ervas daninhas. Deve albergar mais de mil espécies. Parece o Vietname aquela casa. Que saudades!

18h
No Avenida a beber uns finos e a fumar cigarros. O rapaz do café finge sempre que me conhece mas não sabe o meu nome. Eu sei o dele, mas não perderia grande coisa se não soubesse.
Estivemos lá praí hora e meia. Foi a primeira vez que desabafei com alguém, abertamente, tudo aquilo que me vai na alma. Ele anuiu com meia dúzia de clichés que, de facto, fazem muito sentido. Os clichés fazem sempre sentido e deviam ser mais valorizados. Ainda não tinha dado oportunidade a ninguém de me ouvir e de debitar as frases feitas que compõem o ramalhete. Não me senti pior nem melhor, fiquei na mesma.

01h
Jantei com um pessoal de Farmácia num tasco perto da igreja de Santo António dos Olivais. Estava um grupo por trás, do qual fazia parte uma das raparigas mais giras que alguma vez vi. Incrível, mesmo.
Estávamos a beber uns bagacitos ao balcão, no final, quando ela veio pagar. Incrível, mesmo! Era difícil conseguir parar de olhar para ela. Perguntaram-lhe se queria beber alguma coisa. "Sim. Whisky!" (foda-se, shots de whisky?). Perguntaram-lhe o nome. "Ana." Ficaram satisfeitos com a puta da resposta mais inespecífica que podia ser dada. Ana. Lol. Ela retorquiu a pergunta, simpaticamente. Obviamente que se estava completamente a cagar para as respostas. Tremi todo quando chegou a minha vez. Respondi Zé, foda-se, olha que caralho.
Bebemos muito. Vieram cá para fora falar de pornografia e mais não sei quê. Eu fui mijar perto de um placard com a figura de Santo António. Tirei uma foto. Estava bêbado, muito bebâdo, todo fodido.
Caminhámos para a Praça e no caminho tomei uns chás, armado em parvo. Já não tomava chás desde Maio de 2012. Bateu-me um pouco mal, claro. A Praça estava a abarrotar de gente. Desorientei-me e dei por mim a vomitar num sítio qualquer por causa das vertigens. Não sei precisar tão bem a última vez que vomitara, mas havia sido há muito tempo, certamente.

03h
Dois amigos encontraram-me e trouxeram-me a casa. Ele ficou lá. Não consegui dizer uma palavra que fosse o tempo todo, nem agradeci no final. Mas lembro-me de tudo.
Abri a porta e, enjoado, fui-me sentar ao lado da sanita onde fiquei prostrado. Chorei até ele chegar.

12h
Sentámo-nos a almoçar na varanda do Fórum com vista para a cidade. Não estava sol mas também não se podia chamar àquilo mau tempo, nem sequer farrusco.
Gastei 20€ no Burger King. Fumei 10 cigarros em hora e meia. Falámos da miúda, que era incrível, de facto. Falámos bastante dela. Falámos de Monty Python, daquele sketch do gajo gordo no restaurante que já está completamente cheio, e o empregado vem oferecer uma bolacha. "Só mais uma bolachinha." Eu estava assim.

18h
Ele foi embora. Estou sozinho outra vez. Sem chorar, porque não quero agora.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Que sa foda

Estou velho. Vejo-me ao espelho e já não me conheço. Tenho os olhos cansados e uma feição triste, a cara mais cheia e gasta do tabaco. Continuo feio como um chibo! Há coisas que nunca mudam.
Tinha qualquer coisa importante para dizer mas já não me recordo. Que sa foda, sinceramente, já me estou a cagar para o blog também.


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

"Afinal há pataniscas de bacalhau!"

Que forma brilhante de iniciar uma conversa no dia em que passam 80 anos da morte de Fernando Pessoa.

sábado, 28 de novembro de 2015

O meu ex-melhor amigo disse-me que estou doente outra vez. Já não o via há meses, a ele ou ao resto do pessoal, apesar de estarem todos em Coimbra. Estou doente outra vez. A razão de não os ver já implica outras questões que não envolvem enfermos de maneira nenhuma.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Dia 8

Coimbra está cheia de lugares comuns à vista de qualquer um. Diferem entre entre nós mas nem todos sofrem a penitência de os sentir em excesso. Contamos histórias passadas no mesmo espaço físico em jantares e cafés, mas raramente uma história referente a um espaço físico aconteceu no mesmo lugar para todos os que a viveram.
O problema é que à maioria das pessoas falta-lhes um plano, uma teoria estratégica sobre o que lhes fazer depois de acabar. Alguns vão embora sem se despedir; outros, como eu, ficam à procura de coisas que já não têm forma nem corpo nem tempo certo.
Está nevoeiro, com um cheiro intenso a falta de soluções no Penedo da Saudade. Do mal o menos, antes isso que o cheiro a castanhas queimadas que desce no início da noite, com um ressoar natalóide de trazer os dedos à boca.
Hoje foi um dia de coragem e libertação. Cheguei mais cedo ao sítio do costume e aproveitei o nevoeiro como desculpa para as ilusões da óptica e da mente.
Agora vou comprar tabaco e fumar cigarros sossegado.

domingo, 22 de novembro de 2015

Dia 7

Fui a Leiria mas entrei em casa, passei a porta e desapareci tão depressa como cheguei. Subi ao sótão, escolhi meia dúzia de livros, peguei no baú das recordações que há muito queria trazer para Coimbra, e vim embora sem dizer puto.
Os meus pais discutiam se a minha irmã deve ou não tomar olanzapina. A miúda começou a trabalhar e está completamente desequilibrada, é um facto. Mas já tem distonia e até acatísia. O meu pai tem razão, uma miúda não pode fazer neurolépticos, não pode! O zyprexa não é um rebuçado. Só têm três indicações razoáveis: a psicose maníaco-depressiva, a esquizofrenia e a agitação no idoso demente. E eu espero mesmo que não seja caso dos dois primeiros.

Quando vim para Coimbra acho que tive uma visão. Fiz inversão de marcha o mais rápido que pude, mas já não estava lá. Ou estou a tornar-me obsessivo ou a ficar psicótico. Sai um haldol intramuscular, se fizer o favor.

Recebi um doente na urgência vindo da França onde esteve internado por uma hépatopathie alcoolique avec d'encéphalopathie.
Hépatite alcóolique
Encéphalopathie alcóolique
Encéphalopathie hepatique
E assim sucessivamente, porque tem sempre piada dizê-lo com sotaque francês.

sábado, 21 de novembro de 2015

Dia 6

A sra morreu ao fim de quase 40 dias. Ninguém ligou patavina a isso. Eu também não. A miúda que trabalha comigo começou a chorar. Chora sempre que alguém agrava ou morre. Eu nunca a conforto.
O tempo voa, as circunstâncias mudam e a forma como o sentimos é invariavelmente mais distante e menos ridícula. Ridículo é de facto a palavra chave, sempre foi.
Um dia, nas habituais caminhadas que fazíamos, passámos por uma escadaria abandonada que quase cruza a alta e a baixa. Fiz um comentário absurdo sobre a eventualidade de alguém me empurrar por ali abaixo. Não só não me lembro da resposta como não me lembro de muitos pormenores que hoje gostaria de recordar, mas o meu comentário foi ridículo, isso foi.
Gosto de passear sozinho à noite e sentir o pulso paroxístico da cidade conforme os dias da semana.
Comigo isso não acontece, ocupo a mesma medianiazinha grosseira todos os dias. Não vivi o sofrimento atroz de forma tão brutal, não passei pelo revanchismo incompassável; e a indiferença perante a história tarde em ganhar o seu espaço e perpetuar-se.
É um castigo merecido mas era melhor que não fosse assim com tudo.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Dia 5

Voltei a adormecer esta manhã.
À noite fui jantar com uns internos do serviço. Nenhum fuma mas cravaram-me o tabaco todo. Eu adoro! Fumem, fumem todos, fumem muito, fumem mais ainda. Rebolem-se na mundanidade e aproveitem as coisas reles da vida. Eu também fumo, e deleito-me, foda-se!
Dói-me o peito, mas já não ligo.
Discuti com a minha mãe e não tive razão. Nunca tenho razão!
Nada de especial para contar, portanto.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Dia 4

"Anónimo asked: How do you get over lost love?
sometimes you don’t. sometimes you realize you have to let some things go in order to be happy at a certain time in your life. whichever the case, it does get easier. i can assure you dear, you’ll be alright."
Sempre me intrigou quem terá feito esta pergunta.
Os sonhos voltaram por entre insónias tardias. Por vezes acordo e não consigo afirmar com certeza se algumas partes do meu passado existiram de facto ou se são produto da minha imaginação. Já experimentei estes sintomas antes: a incapacidade de distinguir claramente factos reais de conversivos; a ideação suicida inócua. Será esta a diferença entre estar medicado e não estar?
Estou a fazer mais por mim. Fui jantar a casa do meu caloiro e da namorada dele. Namoram há 4 anos e meio. São, ou transpareceram-no, um casal sólido. Senti-me acolhido, gostei. Ele tem um gira-discos e, durante a sobremesa, contemplou-me com alguns fados de Coimbra. Louve-se o esforço hercúleo que fiz para não chorar. Acho que consegui mas não tenho a certeza, estava meio com os copos.
Vou admirando com satisfação o sol de inverno, frio, que se faz bater na alta cidade entre as quatro e meia e as seis. É a minha ligação física com o passado e a dimensão de ternura que ficou por aí partilhada.
Hoje usei uma camisa aos quadrados abotoada até cima, estou prendado para as paneleirices.
Everything has gone south.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Dia 3

Sou um antimidas, um profeta da depressão crónica e do prolixismo de merda. Foda-se, que náusea do ser é esta que hoje me impede de dizer algo útil?

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Dia 2

Umas das poucas características de algum encanto que me resta é a de me rir com igual intensidade das mesmas coisas, repetidamente e até de forma algo pateta, como se o êxtase e o deslumbramento nunca terminassem. Rio-me pelos mesmos motivos, choro das mesmas memórias, bloqueio perante os mesmos desafios; Renovadamente, sem ponta palpável de evolução ou aprendizagem.
O primeiro maço de cigarros que comprei foi um SG Ventil, azul. Ainda não era proibida a venda de tabaco a menores de 18 anos e eu passei umas dez vezes de bicicleta pelo café que tinha máquina na esplanada. Fumei um cigarro e escondi o maço num arbusto atrás de casa. O pequeno delito desapareceu com a história. Foi assim com todas as paixões pelo futuro a dentro.
Anos mais tarde, passearíamos juntos pela rua dos arcos como dois quase estranhos que nunca chegámos a ser. Era de noite e eu usava gorro na altura. Ainda uso, quando calha, ou quando não calha mas está frio. Tiro sempre o gorro quando janto sozinho num café ou restaurante, que é quase sempre que uso gorro.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Dia 1

"Como suportar o tédio da vida?"
Avisaram-me durante muitos anos que seria patológico, talvez até perigoso. E quem sabe não seja verdade. Esta atitude permanente do "quero que se fodam tudo e todos" é confortável a curto prazo, claro que é. É melhor assim que guardar frustrações e raivas encapotadas que mais cedo ou mais tarde não vou conseguir controlar. Mas falta um projecto, um plano a médio prazo. E nesse plano, o quero que se fodam todos converge num toda a gente estima bem que eu me foda. Obviamente que toda a gente se estava a cagar para mim muito antes de eu me estar a cagar para eles. Mas isso não justifica e já nem sequer alivia.
Porventura é geral e eu sou demasiado limitado para o compreender. Toda a gente quererá que toda a gente se foda. Mas há quem consiga lidar com isso e não cair no poço onde estou enfiado.
O patológico não está só aí. Eu não sei explicar, não sei mesmo. Não só não sou nenhum Fernando Pessoa nem nenhum Hemingway (que, a propósito, quero que se fodam), como deixo muito a desejar às capacidades esperadas duma pessoa da minha idade e literacia. Parece que há uma névoa que não me deixa pensar ou agir. Confundo permanentemente a realidade com a imaginação e bloqueia-me a memória turva dos acontecimentos. Fica tudo às fatias. Não são alucinações nem delírios. É como se nada tivesse consequências. Não sei explicar, não consigo.
Assim não dá. A continuar assim vou acabar internado a vestir um roupão depois de almoço e a cravar cigarros à porta dum asilo. Tenho que fazer alguma coisa por mim.
Só tenho duas hipóteses, ou me mato, ou subo uns degraus na faixa de QI e aprendo a lidar com todos estes arrependimentos e frustrações e zangas e diálogos inacabados. As duas hipóteses não se cruzam, a não ser por incómodo ou coincidência oportuna.
Não há incondicionalismos em relação nenhuma, por isso esta lufada de auto-consciência tem de ser uma boa oportunidade para deixar de vez a ideia de que eu e o próprio espaço damos conta do recado sozinhos.

domingo, 15 de novembro de 2015

Dia 0

Nem todas as histórias têm um final feliz. Muitas não têm sequer final. São pentelhices proscritas e cinemas inabitáveis. Quando assim é lançamos uma cara de parvos, fingimos aquele ar incrédulo e ignorante de quem não percebe o que aconteceu. Àparte essas macacadas, eu quero é que o Mundo se foda!

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Eu. Não. Sei.


Parabéns pela tua vida Zé! Um sonho! Está toda a gente a bater palmas, és um sucesso internacional.
Parabéns!


quarta-feira, 11 de novembro de 2015


LL

"One day you meet someone and for some inexplicable reason, you feel more connected to this stranger than anyone else--closer to them than your closest family. Perhaps this person carries within them an angel--one sent to you for some higher purpose; to teach you an important lesson or to keep you safe during a perilous time. What you must do is trust in them--even if they come hand in hand with pain or suffering--the reason for their presence will become clear in due time."
Though here is a word of warning--you may grow to love this person but remember they are not yours to keep. Their purpose isn't to save you but to show you how to save yourself. And once this is fulfilled; the halo lifts and the angel leaves their body as the person exits your life. They will be a stranger to you once more."

terça-feira, 10 de novembro de 2015

MM

"Gosto de pessoas que não escondem as suas fragilidades. Não precisam de usá-las na lapela do casaco, é claro, mas que não as escondam se calharem em conversa. Fobias, egoísmos, incompetências, doenças psiquiátricas, mendicidades, etc., são o melhor que temos para nos dar. Porque o mais é falso ou não é particularmente nosso. O Pierce Brosnan e a Tyra Banks não existem; a nouvelle cuisine é uma cagada; o Fernando Mendes e o peixe frito são mesmo muito bons. Sou muito melhor escritor do que o Hemingway. Quase toda a gente é muito melhor escritor do que o Hemingway. Não percam tempo com o Hemingway se tiverem uma bola, alguns amigos e um jardim onde jogarem. Não percam uma oportunidade de suar. O suor é sempre bom, a menos que se sue por dinheiro. Fumem. Fumem muito. Os dentes castanhos são melhores do que os brancos. Melhor do que os dentes castanhos só não ter dentes nenhuns mas ter quem nos corte maçãs e queijo da ilha aos bocados pequeninos. Que se foda o Hemingway."

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Impotência

Conforto é quando tens o maço cheio. Desespero é quando sais de casa para fumar um cigarro sozinho no sítio do costume e pensas que te esqueceste do isqueiro. As mãos desenfreadas nos bolsos e no banco escuro do lado são um sinal clínico de dependência. Não há palavras para descrever esse sentimento. Haver há, mas não aqui, não comigo.
Estou impotente. Sou impotente. Inclino o pescoço e fixo o vazio, de olhar apático, como se tivesse perdido tudo, quando na verdade a única coisa que perdi foi o que nunca tive. Coragem para desistir.
Impotência. Sim, impotência poderá ser, talvez, a palavra certa por hoje.
O isqueiro estava lá. Acho que me senti aliviado. Terá sido isso.

domingo, 8 de novembro de 2015

Shut up! Shut up!


Eu. Não. Tenho. Opinião. Sobre. Nada. Nem. Quero. Ter.

Qual a real diferença prática entre um volto em branco, um voto nulo, e uma abstenção?
Se tivermos 51% de votos brancos ou nulos é forçada uma alteração constitucional por forma a alterar todo o sistema eleitoral/político/organizacional do nosso país? Ou é simplesmente um número alocado num rótulo diferente com impacto 0 no resultado final do ponto de vista da eleição dos deputados?
Se 99,9% dos eleitores fossem votar nulo ou em branco, isso mudava o facto de que os 0,1% que votassem em alguém ainda elegiam e formavam governo?
Abram os olhos, por favor… a história dos abstencionistas é que são os culpados é ridícula!
Eu sou abstencionista porque não acredito no nosso sistema político, organizacional e eleitoral. Ora, posta esta premissa, e sendo coerente com a minha posição, não posso ir participar em algo com o qual discordo fundamentalmente.
Não sou anarquista, nem sou alheado da situação ou desprovido de opinião. Isto sem qualquer ofensa a quem o seja, que está no seu direito. Só não percebo como é que, ainda hoje, a maioria das pessoas continua a olhar o abstencionismo duma forma persecutória, sem parar para pensar no que estão a dizer. Não percebem que estão iludidos pela opinião geral, formada em prol dos partidozecos todos que defendem, uns uns, outros outros. Estes mesmos partidos que, para continuar a manter as pessoas entorpecidas, lhes plantam estas ideias depois massificadas pelos media, mantendo-nos o foco desalinhado das reais questões que interessam discutir.

Half of something else

Hoje, na viagem para Leiria, lembrei-me de coisas interessantes para te dizer, mas na volta eram só parvoíces sem sentido nenhum.
Estou um pouco perdido. Mais do que nos meses anteriores. Não quero conversar com ninguém.
Acho que vou ficar aqui parado à espera que tudo se resolva, duma maneira ou de outra.


sábado, 7 de novembro de 2015

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Polícia Judiciária, está tudo preso!

Um gajo tem saudades da vida que tinha. Mas ver estes garotos todos fodidos a entrar na urgência às 3 e 4 horas da manhã agudiza-me o lado melancólico.
Ainda assim, o mundo não vai mudar por eu pensar mais nele.
Tudo a andar daqui pra fora seus cabrões!

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

domingo, 1 de novembro de 2015


Senso de contraditório

Acabei de acordar. Que puto de dia mais horrível, quase a chamar o suicídio. Desperta-me romantismos, ainda assim.

Somebody had to be me, might as well be me

sábado, 31 de outubro de 2015

Afraid of the house, 'cause they're desperate to entertain



Não te preocupes, vais deixar a tua marca em todo o lado, com quem quer que estejas, onde quer que passes. Não é fácil apagar, e isso tem muito valor.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Estamos


E estamos, de qualquer das maneiras, afinal de contas.

Putas de todas as terras e lugares,
Putas às centenas e aos milhares...

Thug life


quarta-feira, 7 de outubro de 2015


A ninguém

De entre todos, apenas vós
tendes direito a ver-me
fracassar. Onde caio
entre a vossa irónica
doçura implacável, convosco
partilho o pão e o espaço
e a rapidez dos olhos
sobre o que fica (sempre)
para dar ou dizer.
E de vós me levanto
e vos levo pesando
e ardendo até onde
me ajudais a ser
melhor ou talvez
menos só.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

domingo, 27 de setembro de 2015

FP IV

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já me não dói
A antiga e errónea fé
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Não o engulas, por favor

I have only two emotions
Careful fear and dead devotion
I can't get the balance right
Throw my marbles in the fight
I see all the ones I wept for
All the things I had it in for
I won't cry until I hear
Cause I was not supposed to be here

Bloodbuzz

Não te esqueças nunca de mim
Nem do quanto te amo
Nem do quanto me proponho a amar-te.
Todos os dias.
Incondicionalmente.


Ainda e sempre, depois de tudo o que se passou.

HH

"Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
— eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
— E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
— não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço —
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave — qualquer
coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe,
o amor,

que te procuram."

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Apaixonado pelos casais futuros

Gosto daqueles sorrisos em que os caninos são um pouco mais amarelos que os incisivos. Normalmente isso associa-se a dentes direitinhos e a um semblante simpático.

Já estamos a chegar ao fim de Setembro de 2015. O tempo passa...

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Voltei a Coimbra mas é dia de despedidas


"Se eu te pudesse dizer
O que nunca te direi,
Tu terias que entender
Aquilo que nem eu sei."

Não te esqueças nunca de mim, e dos momentos que vivemos, por muito longínquos e remotos, quase inexistentes, que um dia certamente virão a parecer.
E assim se articula uma frase como se articula a puta da vida.

sábado, 5 de setembro de 2015

Dia Mundial da Nostalgia dos Tempos de Liceu (3)

Dia Mundial da Nostalgia dos Tempos de Liceu (2)

Como os tempos mudam... Onde vai a altura em que tudo que sabia fazer era jogar futebol e ficar sozinho atrás da escola a ouvir música fodida dos cornos? Achava-me mais inteligente que tudo e todos, ainda não fumava um maço de cigarros por dia, não tinha o cérebro enterrado em merda sem interesse, não queria ir para medicina e que se fodessem mais aos meus pais e à opinião dos outros.
Agora não sei fazer nada, mas sou um pouco menos estranho, e disfarço bem melhor.




Dia Mundial da Nostalgia dos Tempos de Liceu



segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Hoje gasto a lista toda VII


Hoje gasto a lista toda VI

Fui a um casamento. Não parece meu, mas fartei-me de chorar interiormente, mesmo dentro da igreja, mesmo com as parvoíces do padre em que todos sabem que não acredito menos eu.
A história de amor daqueles dois comoveu-me a sério. Chorei várias vezes às escondidas, com os vídeos e as fotos e os momentos e assim.
Arrependo-me de muita coisa, de quase tudo, sobretudo de não pensar na cruel realidade  das coisas más que fiz na vida. Já não me arrependo delas, arrependo-me de não pensar nelas.
E arrependo-me de não pensar profundamente no que é estar apaixonado. Estou, só isso, e isso é pouco.
Sou um garoto gordo, preguiçoso, de dentes amarelos, desmotivado, cansado, zangado, de revolta interior, sem nada de jeito para dizer em situação nenhuma. Disso eu não me arrependo... do resto sim.


Hoje gasto a lista toda V

I'm left handed. Lefty.
Já tive muita coisa a dizer sobre isso. Agora não tenho nada.

Hoje gasto a lista toda IV


Hoje gasto a lista toda III


Hoje gasto a lista toda II


Hoje gasto a lista toda I


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A Rosa e gládio III

A tristeza encontrou-me quando era pequeno
Esperou, ganhou
É triste que esteja sob efeito de um comprimido
Está no meu mel, está no meu leite
Não deixes este coração vivo debaixo de água
Coberto de trapos e ossos e compaixão
A tristeza é o meu corpo a boiar na crista das ondas
A tristeza é uma miúda dentro de mim
Vivo numa cidade construída em tristeza
Está no meu mel, está no meu leite
Não deixes o meu coração vivo debaixo de água
Eu não te quero ultrapassar-te
Eu não quero superar-te

C'est la fucking vie

I miss u since the day we stopped talking.

sábado, 22 de agosto de 2015


Cepsa, Galp, Repsol, sei lá

Eu devia trabalhar numas bombas, a fazer o turno da noite, a sacar uns maços de Marlboro ao pessoal e fumá-los toda a noite sabe-se lá a pensar em quê.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Hinos Politicamente Incorrectos

1 P´ró Caralho, Filhos Da Puta
2 Chupa Cabrão
3 Cona, Cona, Cona, Cona
4 Fado, Futebol, Fátima E Foda-se
5 Super Cagalhão Atómico No Teu Cu
6 Eu, Tu O Meu Caralho Vai Ao Talho
7 Queres Caralho Vai Ao Talho
8 Sempre Que Te Vejo Dá-me Vontade De Vomitar
9 Cabrão
10 Cabrão
11 És Uma Puta Do Caralho
12 Granda Merda
13 Puta Javarda
14 Goucha
15 Tu Levas No Cu
16 Cabrão
17 Portugal, Portugal, És Atrasado Mental

Esta é a tracklist do primeiro álbum de uma banda nova que ando a seguir.
Eu não me teria lembrado de títulos melhores e que traduzissem com maior fidelidade o conjunto de sentimentos que tenho tido para com o mundo. Este facto, não sendo patológico, poderá ser interpretado como preocupante.

Hoje destaco a música de abertura:


O comentário mais votado a este vídeo vem de um utilizador com o nome "Pedras Calhaus e Pintelhos":
"Adoro a forma como o artista nos transmite uma mixórdia enorme de emoções que contrastam umas com as outras numa grande exclamação de prazer e cultura."

Felizmente, ainda há muita genialidade por descobrir.


MEC III

"Até ela, a pessoa amada, voltar, o tempo não corre como costuma correr. Atrasa-se e detém-se. Suspende-se e atrapalha-nos. Move-se de um lado para o outro. Arrasta os lugares: aqueles onde ela está e aquele (a nossa casa) onde eu espero por ela.
Esperar é um sofrimento mas também se aprende a esperar. Olhar para um relógio é a pior coisa que se pode fazer, porque esses quantificadores malévolos são contabilistas automatizados que sabem contar todos os tempos excepto os tempos de quem ama, espera e tem medo.
Não são capazes de contar os tempos de todas as pessoas dotadas de um corpo com coração e alma. Que somos todos, quer queiramos, quer não. Quem é que quer? Ninguém. E de que nos serve? De nada.
Até ela, a pessoa amada, voltar, a única coisa que podemos fazer é a que mais nos custa: esperar que ela volte. Mas quando é que ela volta? Os minutos podem não ser anos, mas os quartos-de-hora são semanas inteiras.
Mesmo saber que ela, a pessoa amada, voltará é difícil. Até acreditamos que queira voltar. Mas preocupamo-nos: e se ela não puder voltar? Pensar nisso é como morrer vivo sem pensar nisso.
Os livros não ajudam. As séries estúpidas ajudam. Sucedem-se e não conseguem distrair-nos. Mas obrigam o tempo a passar: as pessoas matam-se e morrem; apaixonam-se e atraiçoam-se; enganam-se e revelam-se.
Anteontem, foram três horas da série Babylon da Sundance TV que me contiveram. Ela levou mais de três (pareceram 24) horas para voltar.
Mas voltou."

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

terça-feira, 18 de agosto de 2015

E nós não as devemos deixar ao abandono

Hoje quando saí fui fumar um cigarrito sentado num banco. E estavam, num banco ao lado, dois rapazes um pouco mais novos, não muito...
"Se fosses um gelado da Olá qual é que gostavas de ser?"
"Calippo de Piça!"

Acontecem-nos pequeníssimas coisas soltas que são maravilhosas...

This Roger Moore thing going on


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Auto-comiseração

Os dias alternam entre pulsos de resignação, intercalados pelo crescimento intelectual amorfo da minha personalidade. Atravessasse-me um cansaço suave, hipotiroideu.
E depois há esta febre contra este estado de coisas; contra estas imposições sociais e filosóficas de vão de escada que me corroem a presença.
Perdi a sensibilidade barata que tinha. Foi tomada pela indiferença pós-crítica.
Penso nisso, claro, mas penso devagarinho. Em modo self-pitty, se é que se pode dizer assim.
É triste, mas eu não sou a última bolacha do pacote, nem a última gota de água do deserto. Nem me importo com isso, sinceramente.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

E daqui a 2 dias vou dizer outra vez que não deveria ter voltado a ver séries

Colin Farrell ainda percebo, mas Vince Vaughn, Rachel McAdams? Lel
Foda-se.

True blue

Um homem nem bem nem mal vestido viu-me a fumar e veio pedir-me um cigarro. Eu fiz o que tenho feito das últimas vezes. Não dei. Pedi desculpa, e disse assertivamente que não.
Sei que estou diferente quando o que levo desse acontecimento é apenas um frágil arrependimento de entre 30 a 90 segundos.

sábado, 8 de agosto de 2015

Big hug mug



À procura de astronautas

We're out looking for astronauts
Isn't it a little too late for this?


You got cold girl fever.
Sempre tiveste, do alto do teu lado poético, ou crente, que eu não soube compreender.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A Rosa e o gládio II

Sem encanto
Há algum pó que me apague?
Será solúvel e insosso?
Não imaginas como me odeio
Eu tento, mas não tenho encanto
Não encontro luz para me enfrentar
Sou invisível, sem valor
Tomei a medicação e desapareci
Descobri como não ter fé
Rebento pelas costuras
Agora sei o que é morrer
Não sou o que quero ser
Mas seria uma pena desperdiçar-me
Deixei rosas na prateleira
Podes ficar com as brancas, são as minhas favoritas
Põe as rosas num vaso
Quando morreres por dentro elas iluminarão o espaço
Não as regues mal, será um desperdício
Sem encanto

A Rosa e o gládio

Eu consigo apertar a própria gravata sozinho
Estou a ficar cansado sem me lembrar porquê
Tudo aquilo em que acredito cai pela varanda
Cansado e preso arruíno tudo
Durmo vestido enquanto o Inverno não vai
Agarro-me a mim próprio com os braços enrolados sobre algo que chora
Chora, ou qualquer outra coisa que faça
Estarei sozinho atrás do sofá quando eles vierem buscar-me
Num outro dia qualquer em tudo igual a este
Não me preocupo
Está tudo bem
Estou vestido, bem apresentado, perfumado
Dentro desta bola de algodão rosado
Vou ficar aqui até que alguém me encontre

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

É como eles dizem

Go big, or go home.
Que estupidez de frase...

terça-feira, 4 de agosto de 2015

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O adormecer de um ordinário, Temporada 7, Episódio 1

Chega de LoL.
True Detective, Game of Thrones, House of Cards, Homeland, American Horror Story.
Vou voltar um pouco atrás no meu estado de sítio. Começa por sorteio.


sábado, 1 de agosto de 2015

Find your comfort zone. Then leave it.

Pela primeira vez desde sempre durmo em casa com todas as luzes desligadas.

How can we dance when our earth is turning


E tudo isto numa versão chillax. Imagina se fosse a sério.

Auscultação

Dona Adelina respire fundo... fundo como se estivesse apaixonada!
O único homem por quem estive apaixonada há muitos anos deram-lhe um tiro no meio dos olhos.
...
Respire fundo com a boca aberta.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Noc noc noc

Aquilo em que é mais evidente a quebra da medicação são as compulsões obsessivas que não me largam. Há sempre qualquer coisa à minha volta que me incomoda e me perturba a concentração. Sejam as coisas fora do sítio ideal, as listas imaginárias de tarefas por acabar, os compromissos assumidos a confundir-me no tempo próprio. É tão perturbador que às vezes vou ao frigorífico e como coisas que não gosto só para não se estragarem ou não estarem a desarrumar o espaço.
Devo ser a única pessoa do mundo que tem mais satisfação em ver o frigorífico vazio do que cheio.

terça-feira, 28 de julho de 2015

São estas pequenas coisas que me mantêm equilibrado



Contrata-se feiticeiro(a) para fazer de mim alguém na vida


Segunda-feira, 27 de junho de 2015

A rapariga do café tinha o perfume de uma casa que agora está para arrendar. Passei lá há pouco mais de vinte minutos. Antes fui jogar à bola, mas não fiz nada de especial. Ganhei.


segunda-feira, 27 de julho de 2015

És atrasado mental


Ele nunca pergunta


Ela fê-lo a si própria. E como em todas as histórias, acaba sempre como tem de acabar.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

I'm talking about drawing a line in the sand


That rug really fucking tied the room together. And i peed on it.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Ide-vos foder!

Citações da piça, frases da piça, fotografias da piça.

Thug life day


segunda-feira, 20 de julho de 2015

There are big brave balls, and there are little mincey faggot balls


Kill Bill


Vou jogar à bola


Fico sempre com um nervoso miudinho, com medo de me voltar a aleijar. Mas se não arriscamos com aquilo que gostamos, fazemo-lo com o quê? E quem sou eu para estar a dizer esta merda?!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Parabéns, mais um ano fantástico e bem conseguido

A minha mãe enviou-me uma mensagem de parabéns pela primeira vez em muitos anos. E a única coisa que consigo fazer hoje é chorar. Não só por isso mas nem por motivo nenhum em particular. Sinto-me vazio, o que também não é novo. Não sei explicar, nem quero.

Sush

Estou triste. Não digas a ninguém porque parece mal.

terça-feira, 14 de julho de 2015

There is a majesty at my doorstep


And there are twisted days that i take comfort.

sábado, 11 de julho de 2015

Eros e psiquê

I came from a small school and when i got into a bigger school it was all about, fuck how do i fit in, how do i make this, how do i make myself comfortable, and the easiest quickest way and the most natural way for you is to just become sort of a clown.

And the wheels on the bus go round and round

Ontem à noite (ou esta madrugada, melhor dizendo) quando me fui deitar, já não me estava a sentir bem. Pensei que estava a começar outra vez um ciclo mau mas nem sequer tive dificuldade em adormecer. E depois, como de todas as outras vezes, sonhei, sonhei, sonhei, sonhei. Sonhei que voava... e subi várias noites seguidas à janela do teu quarto, a observar-te, sentada numa secretária pouco maior que as pernas, com a televisão e as novelas da treta por trás. Eu não parava quieto, ia, voltava, ia, voltava, ia, voltava. Até que numa das vezes chegou um rapaz de bicicleta e fez o mesmo que eu. Tu viraste-te e sorriste. Eu fugi envergonhado. Acordei.

All my crooked fingers pointing blame
Let's let it all wash out in the rain

sexta-feira, 10 de julho de 2015

quinta-feira, 9 de julho de 2015

quarta-feira, 8 de julho de 2015

They're savage aliens from the savage future II

Fascinava-me na sua história o misto de background cultural com que crescera. Poder ter um amigo filho de pais asiáticos e outro ao lado filho de pais italianos. Não sei, era muito diferente da minha realidade e, em pessoas bonitas, isso atrai-me particularmente.
Isto a propósito de um gajo coreano a explicar ausência de alguns conceitos ocidentais na cultura deles. Não tem nada a ver, mas o mundo tá todo fodido e está...

terça-feira, 7 de julho de 2015

Anda tudo doido

Comprei ontem quatro livros do Lucky Luke. Não sei que merda fizeram aos desenhos, que estão todos fodidos. Até a finura e o recorte do humor inteligente se perderam.
O mundo está todo fodido. Nada é como antigamente. E eu secretamente, acho que se voltássemos ao antigamente também já não seria igual. Está mesmo tudo fodido.




domingo, 5 de julho de 2015

Japanese shoutcasting

Um amigo que joga LoL comigo costuma fazer japanese casting das jogadas que vão acontecendo. É uma coisa estúpida mas eu não consigo parar de rir. Tem imensa piada.
Sugoi Leblanc senpai, sugoi desu ne.


Ele também faz de Schwarzenegger. Get down. Get down. Get to chopper. Aaarrrrghhh. Este último parece uma gata com o cio.
É fixe. Hoje em dia não são muitas as coisas que me fazem feliz.

Tenho saudades tuas, de qualquer das maneiras.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Acordado

A fazer noite nos HUC. Está a começar amanhecer. Esta é a melhor hora para pensar num erro.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

By the lights and weather

Tenho saudades tuas de manhã, à tarde e à noite, quando faz chuva e quando faz sol. Quando não tenho nada para fazer e quando estou extremamente atarefado. É como um zumbido. Já me habituei e até faz bem.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Go to the bathroom

Esta era a resposta que obtinha todas as noites aos receios inconvenientes e às aflições mal controladas. Estou triste e feliz ao mesmo tempo.


Podem ser dois em sacos separados.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Idiossincrasias de um apaneleirado mental

Tive um dia complicado, amanhã vai ser ainda pior.
Acabei de ver esta foto. Quando o momento alto do dia de um rapaz de 26 anos é virar-se para um monitor, apontar para os gatos e dizer 'miiiii', 'mi', 'mi', 'mi', 'mi', alterando os 'mi' com o colar o indicador ao ecrã em cima de cada gatúfio... há certamente algo que não anda a correr muito bem.


terça-feira, 16 de junho de 2015

From flamboyant to far-fetched


Já não podes entrar de novo. Se entraste não consegues sair. Está tudo limpo e pronto a habitar.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Eu lembro-me


Não saber onde estás não altera nem as canções cantadas, nem os sentimentos tocados, numa noite já longínqua sem preocupações.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Diários de resignação 8

Pormos uma música foleira e dançarmos na sala, cada um a fazer macacadas para seu canto, durante três minutos seguidos, não está ao alcance de quaisquer uns.
Eu carrego comigo determinados comportamentos, expressões e outras bizarrias do trato pessoal que vou introduzindo nas relações à medida que evoluem e se transformam. Isso é meu, ela só tem que entrar no autocarro e deixar-se conduzir pelos dias fora.


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Faggotry makings

A pinta deste gajo é por demais absorvente. Hashtag ganda maluco.



Diários de resignação 7

Tenho que mudar um pouco os hábitos de vida e de estudo por forma a poder acompanhar aquilo que me vai sendo exigido. Não sei por onde começar, nem qual o caminho certo para o fazer. Sou um rapaz de personalidade um tanto ou quanto aditiva, com vícios a mais e hábitos a menos. Não estou em negação, e mais importante, quero sentir-me feliz, o que nem sempre acontece.
A minha reacção à maior parte dos posts nas redes sociais é 'oh, vai-ta foder, caralho!' Não me deixam irritado, mas também não posso dizer-me indiferente às patetices dos outros. É assim aquele limbo de marginalidade social misturado com repulsa pelo exibicionismo brejeiro. Meh!
Estou nauseado. Não será aquela náusea profunda do corpo e da alma, estou só nauseado já há várias horas, mas não sei porquê. Está calor e isso não ajuda.


terça-feira, 9 de junho de 2015

I will follow you into the dark

Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.

Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito ?

Imensos jardins da insónia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.

Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito ?

Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se alteia,
entre pálpebras de areia...

Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.

Diários de resignação 6

Hoje voltei a jogar futebol, ao fim de dez meses sem sequer dar dois passos de corrida. Não fiz nada de especial, como seria de esperar, além de uma cueca tão feia que o gajo até ficou paneleiro dos olhos.

Ontem à tarde fui jogar à bola com uns amigos meus. A minha equipa ganhou por dois a zero, e eu concretizei dois tentos de belo efeito.




Ainda não é verão nem fazemos nada juntos.

segunda-feira, 8 de junho de 2015


Diários de resignação 5

Acho-a a segunda rapariga mais bonita e encantadora que já conheci, com a excepção óbvia, e pouco mais sei que o seu primeiro e último nome. Pouco mais sei de si que três ou quatro frases seguidas que trocamos ocasionalmente. A primeira, com a devida excepção óbvia, vi-a uma vez numa paragem de autocarro em 2009, em frente ao liceu de Coimbra. Voltei a vê-la num restaurante no início de 2013, no bairro Norton de Matos. Vi-a duas vezes apenas, duas vezes separadas por quatro anos e, ainda hoje, tenho as suas feições decoradas junto ao vale das recordações visuais a nunca perder.
Amanhã irá nascer como se nunca nos tivéssemos conhecido. Essa é a característica fundamental das paixões débeis, pararmos de gostar quando já não estamos apaixonados.
Tenho saudades da luz de fim-de-tarde e do vento a entrar pela tua janela alta, levando o fumo dos cigarros onde não devia.



domingo, 7 de junho de 2015

sábado, 6 de junho de 2015

Diários de resignação 3




Isto anda meio mundo a tentar foder o outro meio.
I miss you. I'm crying. I'm happy.

A nudez forte da verdade sob o manto diáfano da fantasia

Nós nunca existimos, ou existimos num tempo anterior ao que devia ser.

sexta-feira, 5 de junho de 2015


Diários de resignação 2

Aviso-te já que estou completamente esgotado.
90 anos, hipercaliémia 8.4 e lesão renal aguda pré-renal oligúrica. Hipoacusia bilateral marcada.
P'raí à terceira gasimetria pedi-lhe desculpa de a estar a picar tantas vezes.
"Eu não percebo nada do que o Sr. Dr. me diz, sou muito surda. Mas o Sr. Dr. é tão bonito... tem um sorriso tão lindo. (faz-me uma carícia na cara) É o homem mais bonito e mais carinhoso que já vi aqui no Hospital, e olhe que já cá vim muitas vezes." Hoje voltei para casa de coração cheio.
Ela tem um gatinho novo, igualzinho à Daisy quando era bebé. Miiiiiiiii! Mi mi mi mi mi mi! (aponto -lhe o dedo de braço esticado) Xiiiiiiiuuuuu! Cala-teee!
Hoje imaginei-nos, a mim e a ti, a encontrar-nos num sítio qualquer por acaso, daqui a cinquenta anos. Será que me conhecias? Será que te lembravas de quem eu sou? Acho que ficaríamos especados um em frente ao outro, mirando-nos mutuamente, sem escrúpulos e sem receios, de olhar fixo, amadurecido, confrontado. Eu lembrar-me-ia, e chorava. Mas acho que não dizia nada, continuaria a carregar nos ombros o caminho de volta a casa do resto de todos os dias.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Noite 25

Esta noite tive mais um sonho premonitório. A casa nova dela continha, cá fora, uma espécie de passagem aérea desde o portão até uma enorme portada de vidros reflectores, sobre um jardim de ramos largos e compridos. Dava ideia de ser uma casa grande mas horrorosa e assustadora. Eu tentei convencê-la de que nada estava perdido. Estava tudo, efectivamente, perdido. E eu sabia disso.

Diários de resignação 1

Foi um dia bom e mau. Terminei hoje uma relação de 6 anos, com altos e baixos, como todas elas. Sabes o quanto eu gostava dele e me ria com as suas patetices. Sinto-me traído, por um lado. Por outro, sinceramente, estou-me a cagar. C'est la fucking vie.
Não é que me isto me importe muito. Poucas coisas me importam verdadeiramente, de facto. Mas hoje ela disse-me que eu parecia triste. Depois, de repente e de surpresa, ignorando o que quer que fosse que se pudesse passar comigo, e não se passava nada de especial, abeirou-se da cadeira ao lado e disse-me que já não queria mais. Fiquei satisfeito de o ouvir, embora ache que o valor absoluto de tal afirmação seja muitíssimo inferior ao relativo. Mostrou-me as conversas no telemóvel e perguntou-me o que eu achava. Levantou-se e saiu confiante. Eu fiquei, indiferente, a achar que sim e a pensar que não, mas com a certeza absoluta de que nunca, no meu perfeito juízo, começarei uma frase por 'em princípio talvez'...
Fui tomar café e tinha na mesa atrás de mim um casal de estrangeiros a falar inglês. Ela tinha sotaque britânico e ele não percebi bem. Destrocaram pensamentos enquanto eu fumava cigarros introspectivos sob a noite de lua cheia.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

BS VII

"Acontece-me às vezes, e sempre que acontece e quase de repente, surgir-me no meio das sensações um cansaço tão terrível da vida que não há sequer hipótese de acto com que dominá-lo. Para o remediar o suicídio parece incerto, a morte, mesmo suposta a inconsciência, ainda pouco. É um cansaço que ambiciona, não o deixar de existir — o que pode ser ou pode não ser possível —, mas uma coisa muito mais horrorosa e profunda, o deixar de sequer ter existido, o que não há maneira de poder ser."

FP III

"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"

Demónios

Quase todas as músicas desta banda são especiais, mas a letra desta parece que foi escrita a pensar em mim. E terá sido, certamente.


Noite 24

Telemóvel - Memorandos 02.06.2015:

09h38m
Estou no hospital enquanto utente. Estou ensonado, mal humorado, deprimido, sentado ao lado de uma velha que ainda não se calou um minuto a tentar perceber o que se passa comigo, como e porque é que vim aqui parar. Insiste em explicar-me o algoritmo de procedimentos que me levarão ao atendimento. Ter uma velha a transmitir-me, em tom enfatuado e instrutivo, que tenho de bater à porta e esperar que atendam porque devem de certeza estar ocupados, quando está escarrapachado na porta, a letras gordas: 'Por favor, bata à porta e aguarde que o atendam.', habitualmente seria cómico, hoje é insuportável.  Epa, oh velha, cale-se um bocadinho...

10h:20m
A velha só se calou quando veio uma enfermeira falar para mim como se eu fosse uma velha. E ficou de boca aberta, estupefacta e abelhuda, a escutar religiosamente as perguntas da enfermeira e as respostas que lhe dava. Não me faz diferença, não tenho segredos para a velha. E de qualquer das formas, estamos todos para o mesmo. Batamos às portas e aguardemos, silenciosos ou tagarelas, que se desocupem os ocupados e nos atendam os atendedores.

11h:16m
Quando estou assim sou um psicopata em potencial. São mortes e fugas de ideias e misturas explosivas e violência, tudo no domínio da imaginação; tudo no poço da Alice sob comando de um coelho esquizofrénico sem escrúpulos nem ética.

23h:02m
Olho para trás e sei que cometi erros graves, mas também sei que a determinada altura houve um desequilíbrio assustador na proporção do que não era suposto ser equacionado. Ela repetiu-me algumas vezes que um dia haveria de encontrar a sua alma gémea. Encontrou outra alma qualquer, não sei se a gémea, se a que queria, mas encontrou outra alma, de quem escreve coisas que nunca pensaria da alma que fui. É a lei dos assuntos das almas. São as teorias recambolescas das velhas.

01h:13m
Passeio de carro à noite porque essa é a forma mais corriqueira que encontro de me sentir livre. Conduzo sem destino definido, oiço músicas tristes, fumo cigarros avulso, páro em locais de memórias nostálgicas. Não conheço maior libertação do resto do mundo que essa.
A outra forma, menos intensa, é escrever estas parvoíces aqui. Sem regras, sem prazos, sem modos. Escrevo o que me apetece, alivio o espírito, ninguém sabe.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Noite 23

10.12.2011:
"Antevejo já com severo transtorno a morte anunciada do meu dia-a-dia. Não sou de estrelas, tão pouco de bruxarias. Enxergo sinais simples. Prevejo só a falta de futuro como um fardo nos ombros.
Há uma crónica impressão de estorvo em cada um dos ciclos que passam, nos lugares que habito, na pessoa do outro."


17.12.2011:
"Tento reter uma lição na vida.
Nunca gostar mais de alguém do que alguém gosta de mim.
Nunca gostar menos de alguém do que alguém gosta de mim.
Adaptar-me, simplesmente. Aprender a falhar menos, ou a falhar melhor."

Nothing to say, nothing to see, nothing to do.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Noite 22

Há uma desconsciencialização generalizada sobre o não aproveitar a vida e a suas vantagens. Por oposição, as pessoas tendem a sobrevalorizar a ideia que lhes incutiram de que a vida tem um peso relativo maior se estiverem sempre a fazer coisas, a viajar, a apaixonar-se, a foder, a comer pratos dignos de fotografias parolas. Não concordo! Combato a impotência com inutilidade. Gosto de me conspurcar na ideia feita de que sou imprestável, insignificante e incomodativo. Gosto de não fazer nada. Perder cinco minutos interrompidos de cada vez a não pensar, a não fazer, sem ninguém me chatear. O meu pressuposto de fim-de-semana perfeito é estar em casa, fechado, sozinho, sem dizer uma única palavra que seja, sem receber uma única chamada ou mensagem, sem comer nada que preste. Sair para comprar tabaco e voltar absorto, distante, tóxico e imundo de ter percebido que nunca deveria ter saído em primeiro lugar.

É engraçado, e a palavra hoje é mesmo esta, ver como duas pessoas passam de melhores amigas a completos estranhos, como objectos que se colocam no bolso de trás das calças. Ela não sabe sequer que é sobre ela que escrevo e eu caminho de braço dado com a decadência de conceitos idos. A vida dela seguiu o caminho previsível que todas as vidas seguem. A minha vida seguiu o caminho previsível que a minha vida segue. Ela está apaixonada pela pessoa a seguir e eu estou apaixonado pelas idealizações de outrora. Assim está bem e não há mal nenhum que caia ao mundo por isso. A monotonia é companheira da perfeição e eu lamento profundamente que essa seja, invariavelmente, uma realização extemporânea.
Hoje somos assim. Ela só tem medo que o céu lhe caia em cima da cabeça. Eu só tenho medo que o céu lhe caia em cima da cabeça.
As saudades que temos aprendemos a dominá-las estando sozinhos. É um trabalho pacato de imaginação e ressuscitação de momentos especiais com um fim em si mesmo. Nas últimas noites nem tenho precisado sair de casa. Sento-me em frente ao computador, com um cigarro nos lábios, e faço-o sozinho, inspirando e esfumaçando o ar enevoado e decomposto da sala iluminada por um candeeiro pálido que não lhe deveria pertencer.

I keep coming back here where everything slipped
But I will not spill my guts out