terça-feira, 17 de novembro de 2015

Dia 2

Umas das poucas características de algum encanto que me resta é a de me rir com igual intensidade das mesmas coisas, repetidamente e até de forma algo pateta, como se o êxtase e o deslumbramento nunca terminassem. Rio-me pelos mesmos motivos, choro das mesmas memórias, bloqueio perante os mesmos desafios; Renovadamente, sem ponta palpável de evolução ou aprendizagem.
O primeiro maço de cigarros que comprei foi um SG Ventil, azul. Ainda não era proibida a venda de tabaco a menores de 18 anos e eu passei umas dez vezes de bicicleta pelo café que tinha máquina na esplanada. Fumei um cigarro e escondi o maço num arbusto atrás de casa. O pequeno delito desapareceu com a história. Foi assim com todas as paixões pelo futuro a dentro.
Anos mais tarde, passearíamos juntos pela rua dos arcos como dois quase estranhos que nunca chegámos a ser. Era de noite e eu usava gorro na altura. Ainda uso, quando calha, ou quando não calha mas está frio. Tiro sempre o gorro quando janto sozinho num café ou restaurante, que é quase sempre que uso gorro.

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