Apoderou-se do meu corpo o demónio da ignorância. O demónio da apatia, que me enfarta, qual prisão de ventre emocional, sob a forma de estupidez.
A minha apatia é uma espécie de autismo dos pobres de espírito. Não enxergo a ideia social de felicidade, não porque não queira, mas porque não consigo. Chama-se oligofrenia da vontade dos outros.
Falhei em compreender o que imaginaram para mim. Não dei valor à cadência gentil com que o mundo girava. Agora, os sonhos alheios são bolachas roídas. Mergulho-os nesta tigela de leite coalhado que é o meu íntimo. Aqui, todos um dias há um banquete de luxúria castrada. Todos os dias!, na companhia imaginária de quem me oferece nostalgia.

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