sexta-feira, 15 de maio de 2015

Noite 8

Se tivesse o dom de me expressar bem, escreveria sobre as mãos da mulher. Não sobre a sua estrutura e aparência, mas sobre a posição feminina que mantêm, sobre a subtileza dos seus movimentos involuntários e a finura dos seus gestos. Como não tenho esse dom, fico-me pelo desejo de o ter.
A esta hora, tudo em mim são desejos vãos, ocupações mentais sem solução. O tempo não volta para trás. Se voltasse, de certeza que seria um dia ou dois, nunca um par de anos de obsolescência. A criação tem regras e concessões, não se pode abusar. Esta noite não choro porque o que não tem solução, solucionado está.

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