Hoje estive à conversa com uma rapariga americana por uma espécie de skype. Todas têm o mesmo sotaque e o mesmo timbre de voz. Hoje li coisas que não queria ler, mas que me deixaram uma doçura extravagante na alma. Tudo acontece da mesma forma e pelos mesmo processos.
O que fica do que foi é o que fazemos dele. Definições de amor há muitas, alguns não têm nenhuma, outros inventam-nas erradas, outros inventam as suas. Eu tenho a minha, que não é nada de especial, nem particularmente erudita.
O que fica do que foi é isso em si mesmo... os lugares ocupados, os desocupados e os que quase foram; as conversas imaginadas partilhadas, as espontâneas e improvisadas e as que ficaram entre nuvens só para leitores de histórias românticas; as memórias imediatas, as profundas e as omitidas. O amor tem o auge depois do fim e não no pico da paixão. O romance é uma realização da consciência e não das circunstâncias. Perfeição é ficarmos felizes por não ter cabido tudo depois de arrumarmos a mala. Perfeição é sorrirmos sozinhos, todos os dias à mesma hora, das palavras e dos gestos e das imperfeições.
O que fica do que foi são arrependimentos atrasados que temos de saber saborear.
O que fica do que foi é igual a cem metros ou a cem centenas de quilómetros. É igual no Penedo da Saudade, na rua vazia mal iluminada ou deitado na cama sob a luz ténue dum candeeiro sozinho.
O que fica do que foi é o que define a narrativa após a contracapa. Depois disso, 'qualquer semelhança é pura coincidência'.
Love is a dress that you made long to hide your knees.
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