quarta-feira, 20 de maio de 2015

Noite 12

Gosto dos velhotes, gosto de crianças, gosto mais de gatos mas também gosto de cães. Gosto de roedores. Gosto do que faço. Gosto de conversar com as pessoas desde que não me aborreçam com trivialidades sem interesse. Prefiro estar sozinho mas às vezes encontro energia para partilhar um espaço. Aprecio o papel inútil que desempenho na sociedade. Não me dou bem com toda a gente mas não crio problemas a ninguém. Dou-me bem com isso.
Tenho uma licenciatura de pouco valor relativo, sou subliterado, leio pouco. Perdi a paciência para a maioria dos filmes de merda e séries mal escritas a que tenho acesso. A minha cultura geral é bastante limitada mas evito dar opiniões precárias sobre temas que não domino, que são quase todos. Aprendi a falar pouco, habitualmente apenas o indispensável. Dou-me bem com isso.
Não se pode confiar em mim porque perco amiúde o controlo sobre o humor. Não tenho nada de especial a oferecer a ninguém. Dou-me bem com isso.
Não gosto de adrenalina.  A única excitação que tolero é quando me ocorre uma ideia inteligente de algo para escrever, sobre o que muito raramente consigo efectivamente fazer. Dou-me bem com isso.
É tudo tranquilo afinal, sobretudo da parte da tarde. O mundo não acaba amanhã. Se acabar não há problema que não tenho nada combinado. Só se vive uma vez mas poucas vezes se morre mais que isso.
Esta noite houve uma celebração de vulgaridades no Clube das Pilas Medianas. Bebi com moderação e saí dentro dos limites de velocidade.

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