quinta-feira, 7 de maio de 2015

Noite 2

Penedo da Saudade, na companhia de um cão preto, de tamanho pequeno-médio que aqui anda a abanar o rabito e cheiricar tudo, com uma protecção cefálica, sendo daí dedutível que terá um dono. As luzes da cidade nunca mudam, nem precisam. O que mudar quando se cumpre o propósito para que se foi criado, ou mudar para quê?
O cão não sai e eu acho prudente fazer um exercício antes que ele desapareça algures entre os odores que o guiam, algures por entre as mijadelas que o fazem sonhar.
Lembrar o passado, o dia da criação deste blog, há três anos atrás, também na companhia de um cão estranho, fumando cigarros já há muito fumados. Sei lá, era tudo tão diferente. Tudo mascarado de revelação. Tudo misturado com ideias de grandeza e patetices típicas da ilusão de felicidade. Como se as coisas acontecessem porque fosse eu o escolhido de uma contra-prova qualquer, uma teoria obsoleta, num trono semi-ocupado.
Hmm, nope. Nope, nope, nope, nope, nope (o cão levantou as orelhas, assustou-se comigo a dizer nope e desapareceu. Ainda bem, onde há cão há dono e a mim já me chega o casal de trajados a beijar-se lá em cima... e os outros três do outro lado, a beber cervejas e a fumar charros).
E daqui a cinco anos, o que é que eu quero fazer? Ser especialista, fazer VMER, estar loucamente apaixonado, cheio de ideias fugazes e processos de intenção irracionais. Hmm, não. Não, não, não, não, não.
Muito antes pelo contrário... Hoje, aqui sozinho, acho que quero só tomar conta de mim. Meter-me um capacete na cabeça, mas dos modernos, para que não possa fuçar os charros dos outros, ou coçar as certezas absolutas de quem tratei muito abaixo do que merecíamos.

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