domingo, 25 de março de 2012

O cão da casa branca com grades cinzentas é rafeiro e ridículo

Levanto-me; são duas da tarde. Vou fumar o cigarro do costume no sítio habitual. Há um cão, nesse sítio, que fica sempre especado, sentado, a olhar para mim enquanto fumo. Conversamos por telepatia. Hoje, eu e o cão estamos no mesmo ponto em que estávamos ontem à noite. Que é o ponto em que estávamos a semana passada. E na anterior. E na semana antes dessa. Exactamente iguais. Cada um à sua maneira, a tentar ainda ver as cores que decidimos atribuir ao mundo. Se é que, nessa matéria, o arbítrio é livre e tem algum peso no assunto. Dizem que os cães vêem a preto e branco.
Mas estamos na mesma, ele lá dentro e eu cá fora. Eu não trocava de lugar com ele. E, pior que isso, ele também não trocava de lugar comigo.
Hoje não dissemos nada um ao outro. A semana passada também não. Como na anterior, e na semana antes dessa. Olhamo-nos, simplesmente, com a certeza de que é assim. E que o que já foi já foi.

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