sexta-feira, 30 de março de 2012

Sr. Joaquim

Ao fundo da rua vive um velhinho que não é simpático nem antipático. Demora dez minutos a pôr o carro na garagem. Não é um atributo que o defina, mas é o que toda a gente diz sobre ele. E que é o sr. Joaquim.
O sr. Joaquim, que não é simpático nem antipático, aquele, que demora dez minutos a pôr o carro na garagem, costuma estar cá fora a regar as flores do jardim. Lentamente, que o reumático, o lumbago e o parkinson impedem que se reguem as flores de forma desembaraçada. A mulher, a dona Agostinha, senta-se à janela sem pensar em nada, que o alzheimer ou a velhice ou a fraqueza não deixam que se pense nalguma coisa.
Eu passei apressado, às costas com o contentor emocional que me proíbe de escolher uma música no mp3. As flores riram-se às gargalhadas. O reumático e o lumbago e o parkinson e o alzheimer e a velhice e a fraqueza também. Eles é que têm razão.
O sr. Joaquim era o meu barbeiro quando eu era pequenito e usava cabelinho à foda-se.

Sem comentários:

Enviar um comentário