(Baby) Yeah, I can heal and mend your broken heart
(Baby) Yeah, I can heal and mend your broken heart
Give me the chance, love."
Now this time lets not fuck it all up just because.
sábado, 31 de março de 2012
BS III
"Passam casais futuros, passam os pares das costureiras, passam rapazes com pressa de prazer, fumam no seu passeio de sempre os reformados de tudo, a uma ou outra porta reparam em pouco os vadios parados que são donos das lojas. Lentos, fortes e fracos, sonambulizam em molhos ora muito ruidosos ora mais que ruidosos. Gente normal surge de vez em quando. (...)
Passa tudo isso, e nada de tudo isso me diz nada, tudo é alheio ao meu destino, alheio até, ao destino próprio (...) salada colectiva de vida."
Passa tudo isso, e nada de tudo isso me diz nada, tudo é alheio ao meu destino, alheio até, ao destino próprio (...) salada colectiva de vida."
Aquele momento desesperante em que se quer voltar atrás no tempo
e, por muito que se cerre os olhos, não funciona. O tempo não deixa. Cabrão!
sexta-feira, 30 de março de 2012
BS II
"O patrão Vasques. Lembro-me já dele no futuro com a saudade que hei-de ter então. Estarei sossegado numa casa pequena nos arredores de qualquer coisa, fruindo um sossego onde não farei a obra que não faço agora, e buscarei, para continuar a não ter feito, desculpas diversas daquelas em que hoje me esquivo a mim. Ou estarei internado num asilo de mendicidade, feliz da derrota inteira , misturado com a ralé dos que se julgaram génios e não foram mais que mendigos com sonhos, junto com a massa anónima dos que não tiveram poder para vencer nem renúncia larga para vencer do avesso."
Putas!
Gostar de alguém sem ser correspondido e o carreiro de formigas que tenho na cozinha são os dois primeiros flagelos da humanidade. A Fome, a Guerra, o Cancro e a Sida são parvoíces que, muito sinceramente, já me começam a irritar.
BS
"Tenho a náusea física da humanidade vulgar, que é, aliás, a única que há. E capricho, às vezes, em aprofundar essa náusea, como se pode provocar um vómito para aliviar a vontade de vomitar."
Sr. Joaquim
Ao fundo da rua vive um velhinho que não é simpático nem antipático. Demora dez minutos a pôr o carro na garagem. Não é um atributo que o defina, mas é o que toda a gente diz sobre ele. E que é o sr. Joaquim.
O sr. Joaquim, que não é simpático nem antipático, aquele, que demora dez minutos a pôr o carro na garagem, costuma estar cá fora a regar as flores do jardim. Lentamente, que o reumático, o lumbago e o parkinson impedem que se reguem as flores de forma desembaraçada. A mulher, a dona Agostinha, senta-se à janela sem pensar em nada, que o alzheimer ou a velhice ou a fraqueza não deixam que se pense nalguma coisa.
Eu passei apressado, às costas com o contentor emocional que me proíbe de escolher uma música no mp3. As flores riram-se às gargalhadas. O reumático e o lumbago e o parkinson e o alzheimer e a velhice e a fraqueza também. Eles é que têm razão.
O sr. Joaquim era o meu barbeiro quando eu era pequenito e usava cabelinho à foda-se.
O sr. Joaquim, que não é simpático nem antipático, aquele, que demora dez minutos a pôr o carro na garagem, costuma estar cá fora a regar as flores do jardim. Lentamente, que o reumático, o lumbago e o parkinson impedem que se reguem as flores de forma desembaraçada. A mulher, a dona Agostinha, senta-se à janela sem pensar em nada, que o alzheimer ou a velhice ou a fraqueza não deixam que se pense nalguma coisa.
Eu passei apressado, às costas com o contentor emocional que me proíbe de escolher uma música no mp3. As flores riram-se às gargalhadas. O reumático e o lumbago e o parkinson e o alzheimer e a velhice e a fraqueza também. Eles é que têm razão.
O sr. Joaquim era o meu barbeiro quando eu era pequenito e usava cabelinho à foda-se.
Ele não podia dizer que não voltaria a acontecer,
E depois disse que não voltaria a acontecer.
Pediu desculpa e, com sono, foi dormir os sonhos que ainda havia por sonhar.
Pediu desculpa e, com sono, foi dormir os sonhos que ainda havia por sonhar.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Ele fez tudo como se o Sol lhe tivesse dito que não voltaria a nascer,
ou como se fosse a última vez na vida que estaria apaixonado.
O dia seguinte amanheceu chuvoso e sozinho. Cego, ponderou a roupa que iria vestir. Depois de espreitar à janela, desceu o prédio e atravessou a estrada fora de sítio.
O dia seguinte amanheceu chuvoso e sozinho. Cego, ponderou a roupa que iria vestir. Depois de espreitar à janela, desceu o prédio e atravessou a estrada fora de sítio.
Lição nº ...
Ontem cheguei à conclusão que as pessoas a quem eu tenho o direito de mentir não têm o direito de me chamar mentiroso.
5 de Março de 2012
Adoro pisar gravilha e sentir o barulho das pedras em movimento. Passar por entre carros de um estacionamento e imaginar corpos lá dentro. Olhar pela porta de um supermercado fechado e ver pessoas realmente úteis a trabalhar. Atravessar uma ponte pedestre que cruza a estrada e atrever-me a considerações mórbidas. Tocar notas musicais na cabeça e não fazer ideia do que são. Ser mais um no cemitério dos que ainda estão vivos.
domingo, 25 de março de 2012
Cabelinho à foda-se
Rio-me, sempre com a mesma intensidade bacoca, da imprecisão ilustrativa desta expressão. Acho que ninguém sabe bem o que é um "cabelinho à foda-se". Mas que é uma expressão ridiculamente engraçada, nisso havemos de concordar que sim!
Às vezes penso que sou mais inteligente que uma cabeça de alfinete.
Que raio, elas nem conseguem convergir o olhar!
Às vezes penso que não tenho sequer a inteligência de uma cabeça de alfinete. Depois, em própria defesa, odeio todas as cabeças de alfinete que existem. E fico feliz, porque tenho um motivo válido para odiar alguma coisa. Convicto de que até no ódio há burocracia e regras parvas a seguir.
Às vezes penso que não tenho sequer a inteligência de uma cabeça de alfinete. Depois, em própria defesa, odeio todas as cabeças de alfinete que existem. E fico feliz, porque tenho um motivo válido para odiar alguma coisa. Convicto de que até no ódio há burocracia e regras parvas a seguir.
Ele sabia que no final não teria existido
.
E acrescentou um ponto final, para que pelo menos se tratasse de uma inexistência gramaticalmente correcta.
E acrescentou um ponto final, para que pelo menos se tratasse de uma inexistência gramaticalmente correcta.
Tabaco
Divido os cigarros em dois tipos. Os que fazem mal e os que perdem a ponta. Os segundos são ridículos, os primeiros fazem mal. Para além disso tenho sede...
16 de Outubro de 2011
O problema é que sou demasiado ingénuo. Vou entrar agora na minha máquina do tempo... E os botões perversos da minha felicidade ficarão completamente desorganizados, ainda e outra vez.
Parei numa época em que a distância entre mim e a felicidade é uma taça de amendoins. Descascados, se possível.
Parei numa época em que a distância entre mim e a felicidade é uma taça de amendoins. Descascados, se possível.
14 de Outubro de 2008
Vivo exactamente da mesma maneira que sempre tenho vivido. Não mudei nada.
Vivo em buracos de mundo, entre fantasias inócuas e infantis. Entre espaços de qualquer coisa, incoerentes, ilógicos; vivo nos intervalos impossíveis do que não quero ser. Vivo entre devaneios interrompidos do que os outros sentem.
Sou um intérprete de momentos, um imitador de ideologias, uma insignificância com identidade. Vivo porque é assim que sou: um “isto” sem asa para se agarrar.
Vivo de não viver de facto. Como naquele espaço morto das histórias, em que viramos páginas. Como quando levantamos a caneta e pomos os pontos nos ii.
O cão da casa branca com grades cinzentas é rafeiro e ridículo
Levanto-me; são duas da tarde. Vou fumar o cigarro do costume no sítio habitual. Há um cão, nesse sítio, que fica sempre especado, sentado, a olhar para mim enquanto fumo. Conversamos por telepatia. Hoje, eu e o cão estamos no mesmo ponto em que estávamos ontem à noite. Que é o ponto em que estávamos a semana passada. E na anterior. E na semana antes dessa. Exactamente iguais. Cada um à sua maneira, a tentar ainda ver as cores que decidimos atribuir ao mundo. Se é que, nessa matéria, o arbítrio é livre e tem algum peso no assunto. Dizem que os cães vêem a preto e branco.
Mas estamos na mesma, ele lá dentro e eu cá fora. Eu não trocava de lugar com ele. E, pior que isso, ele também não trocava de lugar comigo.
Hoje não dissemos nada um ao outro. A semana passada também não. Como na anterior, e na semana antes dessa. Olhamo-nos, simplesmente, com a certeza de que é assim. E que o que já foi já foi.
Mas estamos na mesma, ele lá dentro e eu cá fora. Eu não trocava de lugar com ele. E, pior que isso, ele também não trocava de lugar comigo.
Hoje não dissemos nada um ao outro. A semana passada também não. Como na anterior, e na semana antes dessa. Olhamo-nos, simplesmente, com a certeza de que é assim. E que o que já foi já foi.
Nada me preocupa
Por um lado, gostava de ter os mesmos lamentos e inquietações que tem a minha gata. Por outro, gosto de comer à mesa e do leite misturado com chocolate em pó.
Lembro-me que, talvez pela falta de sentido, talvez porque sim ou se calhar porque não, nada me preocupa. Se existe algo a preocupar-me, não deveria existir. No final serei sempre ridículo como sempre fui, provavelmente com menos dentes, a pele mais enrugada e um pouco menos de preocupações.
Lembro-me que, talvez pela falta de sentido, talvez porque sim ou se calhar porque não, nada me preocupa. Se existe algo a preocupar-me, não deveria existir. No final serei sempre ridículo como sempre fui, provavelmente com menos dentes, a pele mais enrugada e um pouco menos de preocupações.
Sonhos...
Não, eu nunca quis ser astronauta. Os meus sonhos sempre foram ridículos. Até os que tinha em criança. Nunca soube bem em que sonho estava. Nunca soube bem em que sonho queria estar. Bastava-me sonhar em paz...
Agora só me imagino a comer amendoins numa varanda qualquer com vista para a noite.
Agora só me imagino a comer amendoins numa varanda qualquer com vista para a noite.
Nome
"Coimbra, 8 de Junho de 2008,
Pensei durante o dia inteiro na melhor forma de levar a cabo a revolução interior que tanto exijo.
Resolvi começar por deitar fora as minhas pantufas velhas.
Vou sentir saudades do buraco que uma delas tinha no dedo grande do pé…"
As pantufas, as pantufas todas, aos pares, são feitas de desinteresse e desmotivação. São feitas daquele conforto quente que pensamos ter antes de irmos para a cama. Mas também são demasiado ridículas para aparecermos calçados nelas em fotos de família. Gosto de pantufas, até porque me é cómodo o domínio do ridículo.
Pensei durante o dia inteiro na melhor forma de levar a cabo a revolução interior que tanto exijo.
Resolvi começar por deitar fora as minhas pantufas velhas.
Vou sentir saudades do buraco que uma delas tinha no dedo grande do pé…"
As pantufas, as pantufas todas, aos pares, são feitas de desinteresse e desmotivação. São feitas daquele conforto quente que pensamos ter antes de irmos para a cama. Mas também são demasiado ridículas para aparecermos calçados nelas em fotos de família. Gosto de pantufas, até porque me é cómodo o domínio do ridículo.
O nome podia ser outro do género. Jackrabbit Slim's, Bada Bing!, Magnólia do Jardim da Frente, entre outras coisas que carregam em si a falta de sentido prático e o silêncio desconfortável que me caracterizam.
O nome é pouco importante. O resto também. O que me apetece dizer ninguém vai ouvir, de qualquer maneira. Mesmo nos dias em que não me lembrar. Sobretudo nesses. Sobretudo naqueles em que na memória não cabe mais que respirar e existir. Embora aí tenha alguma piada.
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