terça-feira, 27 de março de 2018

Voltei a fumar. A única coisa verdadeiramente meritória que consegui na vida, deixar de fumar, perdeu-se nesta espiral de negativismo que me consome de forma tão descontrolada.
Acabei de comprar um maço de Camel activate. O tipo de tabaco de quem fuma para mostrar que fuma. Não é o caso. Os cigarros não sabem a nada, mas cheiram bem. Cheirá-los faz-me viajar. Não sei bem para onde, nem para que passado. Não sei em que passado quero estar, se chego mesmo a querer algum. Acho que a saudade que sinto é só a manifestação inadequada de que não estou bem comigo.
O meu passado envergonha-me, todo ele, mesmo aquele em que fui genuinamente feliz, mesmo que não tenha sido assim tão genuinamente como na altura parecia... A evidência do acontecido é mesmo isso.
Aqui estou eu, quase a dormir de pé, no Penedo da Saudade, a cheirar cigarros de forma perversa antes de os fumar. A assustar-me com um filha da puta que me apareceu de repente em frente ao carro, a olhar um infinito que ainda não percebi qual é. Aqui estou eu, na mesma posição, da mesma forma e com os vícios constantes dos últimos cinco anos, que são em tudo semelhantes às posições, formas e vícios que tive nos cinco anos anteriores, e nos outros tantos que os precederam.
É o meu canto de conforto e nada há de diferente que me sobre a força de fazer.


"This one's like the wilderness without the world. I'm gonna miss those longs nights with the windows open.
I keep re-reading the same lines always up at 5am every morning.
Like a baby"

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