terça-feira, 27 de março de 2018

Hoje voltei a jogar Lol, um ano depois do último jogo. Voltei finalmente a conversar o Marrão. O Marrão é um amigo de infância, que Coimbra teve o carinho de não separar. O Marrão é mais uma das minhas representações platónicas de uma realidade infantilizada, de uma bolha pessoal que me separa do mundo em que estou mergulhado o resto do tempo.
O Marrão tinha deixado Coimbra para ir viver para Itália. Conheceu uma rapariga com quem vivia há dois anos perto de Roma. Ontem largou tudo e foi viver para Bristol. As coisas não estavam bem, ou estavam bem mas ele achou que não.
O Marrão suicidou-se de estar. Teve a coragem que vejo em todas as pessoas que não são como eu. Ele não é como eu. Tem uma bolha diferente.
Uma vez escrevi aqui um texto sobre ele, depois de uma conversa prolongada que tivemos sobre mim, intervencionada com imensos clichés e lugares comuns.
Foi bom saber que também eu, chamado a opinar, tenho os meus próprios recursos de frases feitas e doutrinas de generalidades a distribuir. O Marrão não sabe que agora estou aqui a escrever sobre ele. Tal como eu não sei se, naquele dia, ele não se recolheu num sítio qualquer de conforto próprio a sofrer por comparação e desvantagem como eu sofro agora.

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