terça-feira, 30 de junho de 2015

Go to the bathroom

Esta era a resposta que obtinha todas as noites aos receios inconvenientes e às aflições mal controladas. Estou triste e feliz ao mesmo tempo.


Podem ser dois em sacos separados.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Idiossincrasias de um apaneleirado mental

Tive um dia complicado, amanhã vai ser ainda pior.
Acabei de ver esta foto. Quando o momento alto do dia de um rapaz de 26 anos é virar-se para um monitor, apontar para os gatos e dizer 'miiiii', 'mi', 'mi', 'mi', 'mi', alterando os 'mi' com o colar o indicador ao ecrã em cima de cada gatúfio... há certamente algo que não anda a correr muito bem.


terça-feira, 16 de junho de 2015

From flamboyant to far-fetched


Já não podes entrar de novo. Se entraste não consegues sair. Está tudo limpo e pronto a habitar.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Eu lembro-me


Não saber onde estás não altera nem as canções cantadas, nem os sentimentos tocados, numa noite já longínqua sem preocupações.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Diários de resignação 8

Pormos uma música foleira e dançarmos na sala, cada um a fazer macacadas para seu canto, durante três minutos seguidos, não está ao alcance de quaisquer uns.
Eu carrego comigo determinados comportamentos, expressões e outras bizarrias do trato pessoal que vou introduzindo nas relações à medida que evoluem e se transformam. Isso é meu, ela só tem que entrar no autocarro e deixar-se conduzir pelos dias fora.


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Faggotry makings

A pinta deste gajo é por demais absorvente. Hashtag ganda maluco.



Diários de resignação 7

Tenho que mudar um pouco os hábitos de vida e de estudo por forma a poder acompanhar aquilo que me vai sendo exigido. Não sei por onde começar, nem qual o caminho certo para o fazer. Sou um rapaz de personalidade um tanto ou quanto aditiva, com vícios a mais e hábitos a menos. Não estou em negação, e mais importante, quero sentir-me feliz, o que nem sempre acontece.
A minha reacção à maior parte dos posts nas redes sociais é 'oh, vai-ta foder, caralho!' Não me deixam irritado, mas também não posso dizer-me indiferente às patetices dos outros. É assim aquele limbo de marginalidade social misturado com repulsa pelo exibicionismo brejeiro. Meh!
Estou nauseado. Não será aquela náusea profunda do corpo e da alma, estou só nauseado já há várias horas, mas não sei porquê. Está calor e isso não ajuda.


terça-feira, 9 de junho de 2015

I will follow you into the dark

Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.

Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito ?

Imensos jardins da insónia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.

Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito ?

Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se alteia,
entre pálpebras de areia...

Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.

Diários de resignação 6

Hoje voltei a jogar futebol, ao fim de dez meses sem sequer dar dois passos de corrida. Não fiz nada de especial, como seria de esperar, além de uma cueca tão feia que o gajo até ficou paneleiro dos olhos.

Ontem à tarde fui jogar à bola com uns amigos meus. A minha equipa ganhou por dois a zero, e eu concretizei dois tentos de belo efeito.




Ainda não é verão nem fazemos nada juntos.

segunda-feira, 8 de junho de 2015


Diários de resignação 5

Acho-a a segunda rapariga mais bonita e encantadora que já conheci, com a excepção óbvia, e pouco mais sei que o seu primeiro e último nome. Pouco mais sei de si que três ou quatro frases seguidas que trocamos ocasionalmente. A primeira, com a devida excepção óbvia, vi-a uma vez numa paragem de autocarro em 2009, em frente ao liceu de Coimbra. Voltei a vê-la num restaurante no início de 2013, no bairro Norton de Matos. Vi-a duas vezes apenas, duas vezes separadas por quatro anos e, ainda hoje, tenho as suas feições decoradas junto ao vale das recordações visuais a nunca perder.
Amanhã irá nascer como se nunca nos tivéssemos conhecido. Essa é a característica fundamental das paixões débeis, pararmos de gostar quando já não estamos apaixonados.
Tenho saudades da luz de fim-de-tarde e do vento a entrar pela tua janela alta, levando o fumo dos cigarros onde não devia.



domingo, 7 de junho de 2015

sábado, 6 de junho de 2015

Diários de resignação 3




Isto anda meio mundo a tentar foder o outro meio.
I miss you. I'm crying. I'm happy.

A nudez forte da verdade sob o manto diáfano da fantasia

Nós nunca existimos, ou existimos num tempo anterior ao que devia ser.

sexta-feira, 5 de junho de 2015


Diários de resignação 2

Aviso-te já que estou completamente esgotado.
90 anos, hipercaliémia 8.4 e lesão renal aguda pré-renal oligúrica. Hipoacusia bilateral marcada.
P'raí à terceira gasimetria pedi-lhe desculpa de a estar a picar tantas vezes.
"Eu não percebo nada do que o Sr. Dr. me diz, sou muito surda. Mas o Sr. Dr. é tão bonito... tem um sorriso tão lindo. (faz-me uma carícia na cara) É o homem mais bonito e mais carinhoso que já vi aqui no Hospital, e olhe que já cá vim muitas vezes." Hoje voltei para casa de coração cheio.
Ela tem um gatinho novo, igualzinho à Daisy quando era bebé. Miiiiiiiii! Mi mi mi mi mi mi! (aponto -lhe o dedo de braço esticado) Xiiiiiiiuuuuu! Cala-teee!
Hoje imaginei-nos, a mim e a ti, a encontrar-nos num sítio qualquer por acaso, daqui a cinquenta anos. Será que me conhecias? Será que te lembravas de quem eu sou? Acho que ficaríamos especados um em frente ao outro, mirando-nos mutuamente, sem escrúpulos e sem receios, de olhar fixo, amadurecido, confrontado. Eu lembrar-me-ia, e chorava. Mas acho que não dizia nada, continuaria a carregar nos ombros o caminho de volta a casa do resto de todos os dias.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Noite 25

Esta noite tive mais um sonho premonitório. A casa nova dela continha, cá fora, uma espécie de passagem aérea desde o portão até uma enorme portada de vidros reflectores, sobre um jardim de ramos largos e compridos. Dava ideia de ser uma casa grande mas horrorosa e assustadora. Eu tentei convencê-la de que nada estava perdido. Estava tudo, efectivamente, perdido. E eu sabia disso.

Diários de resignação 1

Foi um dia bom e mau. Terminei hoje uma relação de 6 anos, com altos e baixos, como todas elas. Sabes o quanto eu gostava dele e me ria com as suas patetices. Sinto-me traído, por um lado. Por outro, sinceramente, estou-me a cagar. C'est la fucking vie.
Não é que me isto me importe muito. Poucas coisas me importam verdadeiramente, de facto. Mas hoje ela disse-me que eu parecia triste. Depois, de repente e de surpresa, ignorando o que quer que fosse que se pudesse passar comigo, e não se passava nada de especial, abeirou-se da cadeira ao lado e disse-me que já não queria mais. Fiquei satisfeito de o ouvir, embora ache que o valor absoluto de tal afirmação seja muitíssimo inferior ao relativo. Mostrou-me as conversas no telemóvel e perguntou-me o que eu achava. Levantou-se e saiu confiante. Eu fiquei, indiferente, a achar que sim e a pensar que não, mas com a certeza absoluta de que nunca, no meu perfeito juízo, começarei uma frase por 'em princípio talvez'...
Fui tomar café e tinha na mesa atrás de mim um casal de estrangeiros a falar inglês. Ela tinha sotaque britânico e ele não percebi bem. Destrocaram pensamentos enquanto eu fumava cigarros introspectivos sob a noite de lua cheia.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

BS VII

"Acontece-me às vezes, e sempre que acontece e quase de repente, surgir-me no meio das sensações um cansaço tão terrível da vida que não há sequer hipótese de acto com que dominá-lo. Para o remediar o suicídio parece incerto, a morte, mesmo suposta a inconsciência, ainda pouco. É um cansaço que ambiciona, não o deixar de existir — o que pode ser ou pode não ser possível —, mas uma coisa muito mais horrorosa e profunda, o deixar de sequer ter existido, o que não há maneira de poder ser."

FP III

"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"

Demónios

Quase todas as músicas desta banda são especiais, mas a letra desta parece que foi escrita a pensar em mim. E terá sido, certamente.


Noite 24

Telemóvel - Memorandos 02.06.2015:

09h38m
Estou no hospital enquanto utente. Estou ensonado, mal humorado, deprimido, sentado ao lado de uma velha que ainda não se calou um minuto a tentar perceber o que se passa comigo, como e porque é que vim aqui parar. Insiste em explicar-me o algoritmo de procedimentos que me levarão ao atendimento. Ter uma velha a transmitir-me, em tom enfatuado e instrutivo, que tenho de bater à porta e esperar que atendam porque devem de certeza estar ocupados, quando está escarrapachado na porta, a letras gordas: 'Por favor, bata à porta e aguarde que o atendam.', habitualmente seria cómico, hoje é insuportável.  Epa, oh velha, cale-se um bocadinho...

10h:20m
A velha só se calou quando veio uma enfermeira falar para mim como se eu fosse uma velha. E ficou de boca aberta, estupefacta e abelhuda, a escutar religiosamente as perguntas da enfermeira e as respostas que lhe dava. Não me faz diferença, não tenho segredos para a velha. E de qualquer das formas, estamos todos para o mesmo. Batamos às portas e aguardemos, silenciosos ou tagarelas, que se desocupem os ocupados e nos atendam os atendedores.

11h:16m
Quando estou assim sou um psicopata em potencial. São mortes e fugas de ideias e misturas explosivas e violência, tudo no domínio da imaginação; tudo no poço da Alice sob comando de um coelho esquizofrénico sem escrúpulos nem ética.

23h:02m
Olho para trás e sei que cometi erros graves, mas também sei que a determinada altura houve um desequilíbrio assustador na proporção do que não era suposto ser equacionado. Ela repetiu-me algumas vezes que um dia haveria de encontrar a sua alma gémea. Encontrou outra alma qualquer, não sei se a gémea, se a que queria, mas encontrou outra alma, de quem escreve coisas que nunca pensaria da alma que fui. É a lei dos assuntos das almas. São as teorias recambolescas das velhas.

01h:13m
Passeio de carro à noite porque essa é a forma mais corriqueira que encontro de me sentir livre. Conduzo sem destino definido, oiço músicas tristes, fumo cigarros avulso, páro em locais de memórias nostálgicas. Não conheço maior libertação do resto do mundo que essa.
A outra forma, menos intensa, é escrever estas parvoíces aqui. Sem regras, sem prazos, sem modos. Escrevo o que me apetece, alivio o espírito, ninguém sabe.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Noite 23

10.12.2011:
"Antevejo já com severo transtorno a morte anunciada do meu dia-a-dia. Não sou de estrelas, tão pouco de bruxarias. Enxergo sinais simples. Prevejo só a falta de futuro como um fardo nos ombros.
Há uma crónica impressão de estorvo em cada um dos ciclos que passam, nos lugares que habito, na pessoa do outro."


17.12.2011:
"Tento reter uma lição na vida.
Nunca gostar mais de alguém do que alguém gosta de mim.
Nunca gostar menos de alguém do que alguém gosta de mim.
Adaptar-me, simplesmente. Aprender a falhar menos, ou a falhar melhor."

Nothing to say, nothing to see, nothing to do.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Noite 22

Há uma desconsciencialização generalizada sobre o não aproveitar a vida e a suas vantagens. Por oposição, as pessoas tendem a sobrevalorizar a ideia que lhes incutiram de que a vida tem um peso relativo maior se estiverem sempre a fazer coisas, a viajar, a apaixonar-se, a foder, a comer pratos dignos de fotografias parolas. Não concordo! Combato a impotência com inutilidade. Gosto de me conspurcar na ideia feita de que sou imprestável, insignificante e incomodativo. Gosto de não fazer nada. Perder cinco minutos interrompidos de cada vez a não pensar, a não fazer, sem ninguém me chatear. O meu pressuposto de fim-de-semana perfeito é estar em casa, fechado, sozinho, sem dizer uma única palavra que seja, sem receber uma única chamada ou mensagem, sem comer nada que preste. Sair para comprar tabaco e voltar absorto, distante, tóxico e imundo de ter percebido que nunca deveria ter saído em primeiro lugar.

É engraçado, e a palavra hoje é mesmo esta, ver como duas pessoas passam de melhores amigas a completos estranhos, como objectos que se colocam no bolso de trás das calças. Ela não sabe sequer que é sobre ela que escrevo e eu caminho de braço dado com a decadência de conceitos idos. A vida dela seguiu o caminho previsível que todas as vidas seguem. A minha vida seguiu o caminho previsível que a minha vida segue. Ela está apaixonada pela pessoa a seguir e eu estou apaixonado pelas idealizações de outrora. Assim está bem e não há mal nenhum que caia ao mundo por isso. A monotonia é companheira da perfeição e eu lamento profundamente que essa seja, invariavelmente, uma realização extemporânea.
Hoje somos assim. Ela só tem medo que o céu lhe caia em cima da cabeça. Eu só tenho medo que o céu lhe caia em cima da cabeça.
As saudades que temos aprendemos a dominá-las estando sozinhos. É um trabalho pacato de imaginação e ressuscitação de momentos especiais com um fim em si mesmo. Nas últimas noites nem tenho precisado sair de casa. Sento-me em frente ao computador, com um cigarro nos lábios, e faço-o sozinho, inspirando e esfumaçando o ar enevoado e decomposto da sala iluminada por um candeeiro pálido que não lhe deveria pertencer.

I keep coming back here where everything slipped
But I will not spill my guts out