O outro problema, e este bem mais profundo do meu ponto de vista, é que eu vivo na ilusão hipócrita daquilo que tenho passado os últimos anos a criticar. Na ideia de miúda adolescente de que algures, sabe-se lá quando, irei conhecer uma princesa qualquer, de sorriso perfeito e pureza distinta, e iremos contar estrelas de papo para o ar num qualquer descampado à beira de um lago cristalino.
É verdade que é frequente apaixonar-me pelas princesas que passam por mim e idealizo na rua. Mas também é verdade que já tive uma princesa, já estive de papo para o ar (não num descampado, mas para o efeito vale do mesmo) e deitei tudo fora... porque a maior verdade é que julguei todas as ideias por infantis e imaturas. E talvez sejam, talvez sejam.
Mas a D. Hermínia ainda chora o marido. E eu sei, por experiência própria, que podemos amar profundamente quem já não vemos há muito tempo, e quem provavelmente não voltaremos a ver na vida. É o máximo de compaixão que me é dado ter, Dona Hermínia, desculpe.
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