quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

As coisas não são bem assim como pensas

Hoje vi dois filmes estúpidos tradicionais de dia de consoada.
There is something about Mary e Beethoven.
O primeiro é sobre uma rapariga cheia de tretas que não faz um caralho e que além de ser uma desocupada de primeira também mete nojo a tentar ajudar os deficientes. Depois tem meia dúzia de atrasados mentais que pensam que estão apaixonados por ela mas não querem aturar o irmão que é mongolóide e se está a cagar para eles todos. No final ela fica com o gajo que sempre gostou dela mas no início usava aparelho e no final consegue conquistá-la só porque disse umas palavrecas para boi dormir.
O segundo é sobre um cão de raça São Bernardo que todos querem foder mas que não faz mal a ninguém. Os filhos dos donos do cão passam-se dos cornos e fodem os que querem foder o cão. Fim.

É tudo uma questão de interpretação. Os filmes, as imagens, as músicas, as nossas escolhas e atitudes. O que interessa é como nos sentimos ou nos queremos sentir. Ou o que fingimos sentir. Ou quando sabemos à partida que é tudo uma grande merda mas não há volta a dar.
Se fico magoado? Claro que fico magoado. Se gostava que fosse diferente? Claro que gostava que fosse diferente, para um lado ou para o outro. Mas não é. Eu vou continuar a ter os mesmos comportamentos, a passar nos mesmos sítios, a ter as mesmas memórias e sentir a mesma coisa.
O final é sempre igual de qualquer das formas. Passarão sempre os mesmos filmes, com os mesmos moralismos da piça, como se isso fizesse alguma diferença.

Entretanto deve dar o Home Alone. Um filme sobre um miúdo malcriado que merecia dois pares de estalos e pais que vão de férias e se estão a cagar para ele. A casa onde vivem é assaltada por dois conas que no final vão para a cadeia.

"- Perguntar, o quê?… O que é que se pode perguntar das pessoas com palavras? O que vale a resposta que uma pessoa dá com palavras e não com a realidade da sua vida? - diz em voz baixa, com uma ênfase depreciativa, como se fizesse troça de si mesmo. - São poucas as pessoas cujas palavras correspondem por completo à realidade das suas vidas. Talvez seja esse o fenómeno mais raro na vida."

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