terça-feira, 30 de setembro de 2014

Confissão

Hoje, à socapa e de forma sorrateira, escondi dois tapetes de rato que a minha tutora tinha no consultório dela. O meu tapete estava estragado e eu já não conseguia jogar com ele. Não me senti mal porque ela tinha praí 10 tapetes da propaganda médica naquela gaveta e nem sequer tem computador em casa, por isso nunca os iria utilizar. Provavelmente fiz-lhe um favor.
Eu, pelo menos, gosto de pensar assim. Gosto de me sentir o Robin Hood dos tapetes de rato.
Gosto de executar as minhas pérfidas malfeitorias e pensar que é por elas que nunca recebi prendas no Natal.

É um prazer raro, porém. Foi apenas a segunda coisa que roubei na vida. A primeira foi uma peça de Lego, ao André, na primária. Escondi-a debaixo da areia e depois levei-a para casa. Era tipo uma flor. Mas aí não foi muito bom porque sempre que brincava com os Legos olhava para a peçazita e sentia-me triste e arrependido. Nunca tive coragem de devolver a flor.
O André cresceu e é jogador amador de futebol americano. Nos entretantos, a minha mãe, que é conhecida da mãe dele (o que torna todo o esquema ainda mais arriscado), contou-me que ele teve uma grande depressão há uns anos. Sei que não foi pela flor mas ficou-me sempre aquele macaquinho na cabeça.

Acho que amanhã vou devolver os tapetes, não vá o diabo tecê-las.

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