segunda-feira, 20 de maio de 2019

Uma aluna pediu-me para lhe fazer uma dedicatória na fita da pasta, sem motivo aparente

Quando terminei o curso em 2013 imaginava muitas coisas diferentes do que consegui até hoje. Em quantidade não imaginava mais nem menos, em substância imaginava diferente.
Passados 6 anos aprendi que a pessoa que somos aos 24/25 é muito diferente, em potencial e em valor real, da que somos aos 30.
À medida que cresces a realidade afunila-se e o pensamento transforma-se. O problema do potencial é que não existe de facto, e entre o potencial e o factual está uma personalidade inteira de diferença.
Tu vais mudar Catarina, é certo, mas não percas o talento que tens.
Aproveita o talento para tratar bem os doentes. Eles gostam. Sê empática, fala com eles, pergunta-lhes o que fazem. Sorri-lhes e toca-lhes. Eles gostam. Não desvalorizes as suas queixas, enquadra-as num contexto.
Pergunta quando não souberes, sem medo. Quando souberes muito, e eu acredito que venhas a saber imenso, trata com carinho quem não souber. Não sejas arrogante, para ninguém, muito menos para colegas mais novos. Não inventes, ou melhor, inventa o suficiente.
Médicos há muitos, cada vez mais. Médicos bons teoricamente também. Faz a diferença naquilo que não se treina, a bondade.
Estuda. Estuda muito. Estuda mais ainda. Mas aproveita também para aprender a viver. Não faças do tempo o teu maior inimigo. Era o que eu faria se pudesse voltar atrás. É o que eu procuro fazer sempre que imagino o futuro.

Ouve The National.
Beijinho. Boa sorte.

José Pedro Leite
Medicina Interna :)

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