terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Para quem gosta de merda está aqui um bom prato

É porventura a única frase que me apetece escrever no comentário final do meu currículo.

Esta é a décima entrada deste ano nesta página, cinco delas foram esta semana.
Não sei se isto revela transformação interior, despersonalização, superficialidade ou, no global, uma vida muito mais feliz com a pessoa que mais amo no mundo e que me permitiu sair da nuvem negra que me ocupava a mente desde que me lembro.
Sei que há um ano atrás decidi deixar de fumar e hoje comemorei um ano livre de tabaco. Oficialmente deixei hoje de ser dependente de nicotina. Por esse motivo, e porque a dificuldade do feito alcançado faz desta uma data festiva, decidi pegar num maço velho que há uns meses descobri lá em casa e vim para o Penedo da Saudade fumar um cigarrito. A ver o que é que acontece...

Sempre me achei talhado para coisas maiores que a mediania que ocupei na escala da vida. Sempre me achei mais inteligente e denso que aquilo que sou realmente. A minha ideia era errada. No fundo eu sabia disso mas agora já não me importo. Deixar de fumar tirou-me a única coisa que me fazia parecer intelectual e misterioso. Também não me importo.

Acho que sou feliz. Não tenho tempo para outro tipo de estados de espírito que exigem cuidado e tratamento egoísta.
Quero casar e ter filhos. Quero ver o Benfica e odiar o Sporting. Quero ir a casa dos meus amigos e voltar sóbrio.
Não quero morrer. Mas preocupa-me mais a morte em si do que aquilo que deixo por fazer. Não deixo nada feito mas também ninguém me deu tarefa nenhuma.

E agora vou-me embora porque estou aflito para mijar. Espero continuar vivo, por muitos anos, entre as duas próximas vezes que ocupe a casa de banho.
E sem fumar, pois os cigarros desta marca, para quem gosta de merda até nem são nada maus.

Ela ainda não sabia


sábado, 21 de dezembro de 2019

Há muito tempo que não sentia saudades


Não são as ervas más que afogam a boa semente, e sim a negligência do lavrador

Passei a minha adolescência a ler e o início da vida adulta a procurar na genialidade dos outros uma resposta para a minha infelicidade.
Aos 31 anos preciso de uma citação para pôr no currículo e não tenho nenhuma.
Estou completamente despersonalizado. Assim como assim, posso pôr uma frase do Confúcio que fica bem em qualquer contexto e a qualquer um.

O tempo passa depressa


quinta-feira, 23 de maio de 2019

Not in Kansas

For the Earth has grown tired and all of your time has expired.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Esqueci-me outra vez o que é dobrada

Acho que é uma merda qualquer com feijões.

Light years

You were waiting outside for me in the sun
Laying down to soak it all in before we had to run
I was always ten feet behind you from the start
Didn't know you were gone 'til we were in the car
Oh, the glory of it all was lost on me
'Til I saw how hard it'd be to reach you
And I would always be light years, light years away from you
Light years, light years away from you
I thought I saw your mother last weekend in the park
It could've been anybody, it was after dark
Everyone was lighting up in the shadows alone
You could've been right there next to me, and I'd have never known
Oh, the glory of it all was lost on me
'Til I saw how hard it'd be to reach you
And I would always be light years, light years away from you
Light years, light years away from you
Light years, light years away from you
Light years, light years away from you.

Uma aluna pediu-me para lhe fazer uma dedicatória na fita da pasta, sem motivo aparente

Quando terminei o curso em 2013 imaginava muitas coisas diferentes do que consegui até hoje. Em quantidade não imaginava mais nem menos, em substância imaginava diferente.
Passados 6 anos aprendi que a pessoa que somos aos 24/25 é muito diferente, em potencial e em valor real, da que somos aos 30.
À medida que cresces a realidade afunila-se e o pensamento transforma-se. O problema do potencial é que não existe de facto, e entre o potencial e o factual está uma personalidade inteira de diferença.
Tu vais mudar Catarina, é certo, mas não percas o talento que tens.
Aproveita o talento para tratar bem os doentes. Eles gostam. Sê empática, fala com eles, pergunta-lhes o que fazem. Sorri-lhes e toca-lhes. Eles gostam. Não desvalorizes as suas queixas, enquadra-as num contexto.
Pergunta quando não souberes, sem medo. Quando souberes muito, e eu acredito que venhas a saber imenso, trata com carinho quem não souber. Não sejas arrogante, para ninguém, muito menos para colegas mais novos. Não inventes, ou melhor, inventa o suficiente.
Médicos há muitos, cada vez mais. Médicos bons teoricamente também. Faz a diferença naquilo que não se treina, a bondade.
Estuda. Estuda muito. Estuda mais ainda. Mas aproveita também para aprender a viver. Não faças do tempo o teu maior inimigo. Era o que eu faria se pudesse voltar atrás. É o que eu procuro fazer sempre que imagino o futuro.

Ouve The National.
Beijinho. Boa sorte.

José Pedro Leite
Medicina Interna :)

quinta-feira, 28 de março de 2019