sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
domingo, 25 de dezembro de 2016
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
Desliguemos as luzes
Tragic suicide note of Aleppo nurse who killed herself to avoid rape by Syrian army
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
Ontem, em Paris, as luzes da Torre Eiffel foram desligadas em solidariedade com as pessoas de Aleppo. Finalmente o mundo respirou de alívio! Até eu, que me estou completamente a cagar para a Síria, dormi com a sensação de dever cumprido.
Felizmente alguém decidiu tomar medidas a sério. Em memória de Aleppo, esta noite, na Torre Eiffel, ninguém vê a ponta dum corno! Foda-se!
Caminhamos, a passos lentos mas firmes, para um lugar melhor.
Felizmente alguém decidiu tomar medidas a sério. Em memória de Aleppo, esta noite, na Torre Eiffel, ninguém vê a ponta dum corno! Foda-se!
Caminhamos, a passos lentos mas firmes, para um lugar melhor.
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Portugal, Portugal, Portugal... és atrasado mental
Dei por mim no escritório a cantar e dançar esta música. É sinal que estou novamente a evoluir no sentido positivo.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
sexta-feira, 9 de dezembro de 2016
Amar-te-ia de maneira igual mesmo que fosses totalmente diferente
"Tenho de aceitar, por humildade, que, secretamente, sou de esquerda pela mesma sem razão que sou do Benfica e não consigo conceber que pessoas de quem gosto muito sejam do Sporting. Talvez a explicação mais elaborada, até filosoficamente, para este facto fosse a do meu querido amigo, o actor Artur Semedo, que ao perguntarem-lhe por que motivo se sentia do Benfica respondeu
- Porque não sou homem às riscas, sou homem de uma cor só
e, como isto é uma resposta incompreensível, deve ser verdadeira. Claro que a gente pode voltar tudo do avesso e arranjar as explicações mais lógicas do mundo: o problema é que aquilo que nos move, até na aparência intelectualmente, não é racional mas o afectivo. Não se chega, pelo raciocínio, a uma verdade última. Chega-se por uma intuição fulgurante, uma espécie de iluminação. Quando as pessoas dizem, sei lá
- Tenho o nome dele debaixo da língua
não o têm debaixo da língua, têm-no debaixo de uma camada de células cinzentas que se tornaram opacas e que, com sorte, talvez se iluminem."
- Porque não sou homem às riscas, sou homem de uma cor só
e, como isto é uma resposta incompreensível, deve ser verdadeira. Claro que a gente pode voltar tudo do avesso e arranjar as explicações mais lógicas do mundo: o problema é que aquilo que nos move, até na aparência intelectualmente, não é racional mas o afectivo. Não se chega, pelo raciocínio, a uma verdade última. Chega-se por uma intuição fulgurante, uma espécie de iluminação. Quando as pessoas dizem, sei lá
- Tenho o nome dele debaixo da língua
não o têm debaixo da língua, têm-no debaixo de uma camada de células cinzentas que se tornaram opacas e que, com sorte, talvez se iluminem."
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
ALA
"Conheci o homem mais rico do mundo quando trabalhava no Hospital Miguel Bombarda e ele já lá estava internado há muitos anos. Era um sujeito alto, com uma bela figura e uma bela cabeça, de setenta e tal anos, elegante, educado, simpático ou, melhor, condescendente porque era bem seguro da sua fortuna. Antes do hospital, quando andava cá por fora, tinha sido campino, depois começou com uns sintomas estranhos e um médico lá do Ribatejo, de conluio com a família, arranjou maneira de o fechar numa enfermaria psiquiátrica. Tinha, achavam eles, um delírio de grandeza, os psiquiatras, que gostam de complicar coisas simples, chamavam-lhe delírio de grandeza e eu, todo doutor, sustentava que aquilo de que ele sofria era uma sífilis quaternária que ninguém se lembrara de tratar com penicilina. Mas era apenas um internozito do primeiro ano, chegado há pouco daqueles horrores de África, onde uns rapazes nossos,
de sangue na guelra, andavam a meter as coisas nos eixos e, evidentemente, o que eu pensava não valia um tuste. Bom. O facto é que o homem mais rico do mundo, sempre impecavelmente barbeado e de bigode aristocrático por lá estava numa enfermaria, diferente de todos os outros pelo seu porte ducal. Chamava-se Manuel, mas toda a gente, doutores, enfermeiros, empregados, doentes, etc., o tratava por D. Manuel. Não por troça, por respeito.
O D. Manuel, consciente da sua superioridade, tratava o pessoal por “meninos”. Não estendia a mão a ninguém: por vezes, em momentos de afabilidade ocasional, oferecia-nos alguns dedos da mão esquerda e era tudo, e obviamente compreensível: tratava-se do maior magnata do Universo. Era rei de Portugal, claro, mas a sua interminável fortuna espalhava-se pelo mundo. Lembro-me que além de outras miudezas possuía as minas do Catanga, o Casino de Monte Carlo, a Fundação Gulbenkian, a maior parte da Europa, o Brasil, todos os cow-boys da América, todas as baleias do Polo e a cidade de Hong Kong, que dirigia com mão de ferro porque, como ele dizia e com razão, com os chineses temos de andar a pau dado que tudo neles era em bico. Não falava muito, não nos prestava muita atenção
(éramos seus vassalos)
mas simpatizava comigo. Por exemplo às vezes passava- -me, em bocados de papel, cheques de milhões de contos, todos preenchidos por ele, e recomendava-me
– Agora veja lá, não gaste tudo de uma vez
de modo que eu andava sempre cheio de massa. Volta e meia chamava-me com um sinalzinho discreto de cabeça, puxava-me para um canto e cochichava de rei para súbdito
– O menino faça o favor de dizer ao meu primo Calouste Gulbenkian que eu não ando nada contente
com a Fundação. Se ele não me põe aquilo nos eixos tenho que o despedir.
Eu fazia que sim
(ninguém se atrevia a contrariar o D. Manuel)
e passados tempos ele apoiava-me com uma satisfação contida
– Graças a si a Fundação está melhorzinha
o que, felizmente, lhe dava mais tempo para se concentrar na gestão das minas do Catanga onde havia umas maçadas
– Tenho por lá pretos a mais
que o D. Manuel, segundo me contou, ia endireitando numa mistura de chicotadas e oferta de óculos escuros e pulseiras que, segundo ele, era aquilo de que os pretos mais gostavam.
Uma noite em que estava de serviço vieram chamar-me porque o D. Manuel não deixava dormir ninguém. De janela aberta da enfermaria gritava aos berros para o escuro
– Para a direita, para a esquerda, mais acima, mais abaixo, mais depressa
ordens que ninguém compreendia e impediam a paz e o sono a toda a gente, para além de excitarem os internados. Lá fui eu às três da manhã e de facto o chinfrim do D. Manuel era imenso. Foi um trabalhão para o tirar da janela, sentá-lo numa cadeira e fazê-lo explicar o que se passava, a mim e a uma horda de enfermeiros de seringa em riste. Com muito trabalho lá consegui que o D. Manuel, mais calmo, contasse. Como eu sabia
(como o menino sabe)
eu tenho a Espanha toda e vai por lá uma seca que não acaba, que me está a dar cabo das colheitas. Então mandei pôr vinte mil cavalos na praia de Espanha, porque em Espanha aquilo que não é campo é praia, e mandei ao pessoal galoparem na areia, a toda a brida. Ao fim de uma hora, quando já estavam bem suados, obriguei-os a entrar nas ondas. Claro que o suor quente, dentro das ondas frias, se transformou em nuvem. E agora estou a guiar aquelas nuvens cheias de chuva na direcção dos campos secos, faço-a cair sobre o trigo moribundo e vou ter uma das maiores colheitas dos últimos anos. No silêncio que se seguiu tirou uma beata de trás da orelha e acendeu-a num silêncio triunfal. Isto com os enfermeiros das seringas de boca aberta e eu feliz por estar diante de um homem de génio. De modo que o deixei continuar aos berros, a guiar nuvens, até a Espanha se tornar fértil."
(éramos seus vassalos)
mas simpatizava comigo. Por exemplo às vezes passava- -me, em bocados de papel, cheques de milhões de contos, todos preenchidos por ele, e recomendava-me
– Agora veja lá, não gaste tudo de uma vez
de modo que eu andava sempre cheio de massa. Volta e meia chamava-me com um sinalzinho discreto de cabeça, puxava-me para um canto e cochichava de rei para súbdito
– O menino faça o favor de dizer ao meu primo Calouste Gulbenkian que eu não ando nada contente
com a Fundação. Se ele não me põe aquilo nos eixos tenho que o despedir.
Eu fazia que sim
(ninguém se atrevia a contrariar o D. Manuel)
e passados tempos ele apoiava-me com uma satisfação contida
– Graças a si a Fundação está melhorzinha
o que, felizmente, lhe dava mais tempo para se concentrar na gestão das minas do Catanga onde havia umas maçadas
– Tenho por lá pretos a mais
que o D. Manuel, segundo me contou, ia endireitando numa mistura de chicotadas e oferta de óculos escuros e pulseiras que, segundo ele, era aquilo de que os pretos mais gostavam.
Uma noite em que estava de serviço vieram chamar-me porque o D. Manuel não deixava dormir ninguém. De janela aberta da enfermaria gritava aos berros para o escuro
– Para a direita, para a esquerda, mais acima, mais abaixo, mais depressa
ordens que ninguém compreendia e impediam a paz e o sono a toda a gente, para além de excitarem os internados. Lá fui eu às três da manhã e de facto o chinfrim do D. Manuel era imenso. Foi um trabalhão para o tirar da janela, sentá-lo numa cadeira e fazê-lo explicar o que se passava, a mim e a uma horda de enfermeiros de seringa em riste. Com muito trabalho lá consegui que o D. Manuel, mais calmo, contasse. Como eu sabia
(como o menino sabe)
eu tenho a Espanha toda e vai por lá uma seca que não acaba, que me está a dar cabo das colheitas. Então mandei pôr vinte mil cavalos na praia de Espanha, porque em Espanha aquilo que não é campo é praia, e mandei ao pessoal galoparem na areia, a toda a brida. Ao fim de uma hora, quando já estavam bem suados, obriguei-os a entrar nas ondas. Claro que o suor quente, dentro das ondas frias, se transformou em nuvem. E agora estou a guiar aquelas nuvens cheias de chuva na direcção dos campos secos, faço-a cair sobre o trigo moribundo e vou ter uma das maiores colheitas dos últimos anos. No silêncio que se seguiu tirou uma beata de trás da orelha e acendeu-a num silêncio triunfal. Isto com os enfermeiros das seringas de boca aberta e eu feliz por estar diante de um homem de génio. De modo que o deixei continuar aos berros, a guiar nuvens, até a Espanha se tornar fértil."
domingo, 4 de dezembro de 2016
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
quarta-feira, 23 de novembro de 2016
Ofereceu-me queques de mirtilo, carinhosamente cozinhados pelo namorado, como quem partilha um segredo que toda a gente conhece. Destapou a caixa com um sorriso parolo e mostrou-me os bolos, ali, cada um deles envolvido naqueles bocados de papel para bolos que não sei o nome.
Nunca fiz queques de mirtilo. Foda-se nunca fiz queques de merda nenhuma. Nem sei sequer o que são mirtilos. Pensava que era uma fruta silvestre tipo framboesa mas afinal parece que é tipo cerejas. Nunca fiz nada para ninguém. Nunca me interessaram as coisas banais de algo que se faz para alguém.
Os queques eram uma porcaria, e é também por isso que sou tão infeliz.
Nunca fiz queques de mirtilo. Foda-se nunca fiz queques de merda nenhuma. Nem sei sequer o que são mirtilos. Pensava que era uma fruta silvestre tipo framboesa mas afinal parece que é tipo cerejas. Nunca fiz nada para ninguém. Nunca me interessaram as coisas banais de algo que se faz para alguém.
Os queques eram uma porcaria, e é também por isso que sou tão infeliz.
Na cama 7 está um senhor de 60 anos, transplantado renal há 7 após electrocussão, sob imunossupressão com prednisolona e everolimus.
Está em D46 de internamento por reactivação de romboencefalite a herpes vírus 6, com afasia motora progressiva, disfagia para sólidos e líquidos e hemiparésia esquerda.
Cumpriu 26 dias de aciclovir, com persistência da pcr do vírus, pelo que se alterou terapêutica antiviral para foscarnet, de momento em D14.
Por ausência de melhoria do quadro neurológco fez EMG, compatível com doença do neurónio motor, a saber, esclerose lateral amiotrófica que se pensa estar relacionada com infecção crónica ao HHV6.
Nos últimos dois dias com febre sem clínica localizadora de foco, colhemos rastreio séptico e aguardamos resultados.
Foi assim que apresentei o doente da cama 7 na visita médica. Recebi em troca acenos de cabeça e interrogações académicas na forma de introspecção e interjeições.
Todos olham para ele como para um animal no zoológico. Os mais sensíveis confortam-se a si próprios dizendo "coitado!", "coitadinho!". Sempre alto o suficiente para ele ouvir. Ele é afásico, não é surdo nem parvo! Os mais intelectuais deleitam-se com o caso, questionam o nexo de causalidade e a pertinência curricular do diagnóstico.
O Sr. da cama 7, de quem ainda não falei, é o Sr. Griné. Era electricista mas um dia apanhou um choque. Sem saber porquê, disseram-lhe que tinha de se procurar um rim novo porque o dele já não estava a funcionar. Reformou-se.
Vivia sozinho antes de vir para o Hospital, mas tem uma nora que conversa com ele duas vezes por semana.
De manhã cumprimentamo-nos sempre. Ele estende-me a mão em garra e eu passo-lhe os dedos pelo cabelo e pela barba curta grisalha. Conversamos um pouco. Ele responde com sorrisos genuínos e uns rosnares simpáticos, abanando a cabeça. Eu, que de gestos percebo pouco, dou-lhe um papel e uma caneta para o perceber melhor. Agarra sempre caneta com os 4 dedos contra a mão e escreve só em maiúsculas.
Todos dias às 10 horas vai à fisioterapia. Passa de cadeira de rodas pelo gabinete médico de porta aberta e eu pergunto-lhe onde vai. Todos os dias, como se todos os dias ele fosse passear pelo mundo. Ele faz uns gestos de amplitude pequena com os braços fininhos, como que a dizer: exercício!!! E eu respondo-lhe com um fixe, até já. Ele levanta a mão em garra e abana-a, esboçando um sorriso e um som tão particular como explícito. Grrrraaaurrrr.
Quando fica nervoso começa a tremer muito e morde um guardanapo. Como no outro dia em que os senhores doutores discutiam o caso à frente dele e diziam que não valia a pena pedir consulta de neurologia, porque não há nada a oferecer. Não pediram consulta de neurologia. Mas ele precisa. Precisa de consulta de neurologia, gastroenterologia, pneumologia, psicologia, reabilitação, fisioterapia e, acima de tudo, precisa de carinho. Precisa que não o abandonem. Precisa que alguém lhe faça um fixe e lhe peça um grrrraaaurrr.
Ele gosta de festinhas, provavelmente mais do que de colher sangue para análises.
Hoje caiu na casa de banho. Pôs a mão à frente da cabeça e, como tem a pele fininha, lacerou o antebraço. Perdeu um retalho grande de pele. Quando cheguei ao quarto mordia o guardanapo e tremia com a ansiedade e com as dores.
Nunca mais o vão deixar ir à casa de banho sozinho, que era a única coisa que o fazia sentir-se independente.
Na cama 8 está o Sr. João, com aquele ar inocente e aluado, fofinho... Sempre a dizer-me desculpe senhor doutor, obrigado senhor doutor, muito obrigado e desculpe... senhor doutor.
Está em D46 de internamento por reactivação de romboencefalite a herpes vírus 6, com afasia motora progressiva, disfagia para sólidos e líquidos e hemiparésia esquerda.
Cumpriu 26 dias de aciclovir, com persistência da pcr do vírus, pelo que se alterou terapêutica antiviral para foscarnet, de momento em D14.
Por ausência de melhoria do quadro neurológco fez EMG, compatível com doença do neurónio motor, a saber, esclerose lateral amiotrófica que se pensa estar relacionada com infecção crónica ao HHV6.
Nos últimos dois dias com febre sem clínica localizadora de foco, colhemos rastreio séptico e aguardamos resultados.
Foi assim que apresentei o doente da cama 7 na visita médica. Recebi em troca acenos de cabeça e interrogações académicas na forma de introspecção e interjeições.
Todos olham para ele como para um animal no zoológico. Os mais sensíveis confortam-se a si próprios dizendo "coitado!", "coitadinho!". Sempre alto o suficiente para ele ouvir. Ele é afásico, não é surdo nem parvo! Os mais intelectuais deleitam-se com o caso, questionam o nexo de causalidade e a pertinência curricular do diagnóstico.
O Sr. da cama 7, de quem ainda não falei, é o Sr. Griné. Era electricista mas um dia apanhou um choque. Sem saber porquê, disseram-lhe que tinha de se procurar um rim novo porque o dele já não estava a funcionar. Reformou-se.
Vivia sozinho antes de vir para o Hospital, mas tem uma nora que conversa com ele duas vezes por semana.
De manhã cumprimentamo-nos sempre. Ele estende-me a mão em garra e eu passo-lhe os dedos pelo cabelo e pela barba curta grisalha. Conversamos um pouco. Ele responde com sorrisos genuínos e uns rosnares simpáticos, abanando a cabeça. Eu, que de gestos percebo pouco, dou-lhe um papel e uma caneta para o perceber melhor. Agarra sempre caneta com os 4 dedos contra a mão e escreve só em maiúsculas.
Todos dias às 10 horas vai à fisioterapia. Passa de cadeira de rodas pelo gabinete médico de porta aberta e eu pergunto-lhe onde vai. Todos os dias, como se todos os dias ele fosse passear pelo mundo. Ele faz uns gestos de amplitude pequena com os braços fininhos, como que a dizer: exercício!!! E eu respondo-lhe com um fixe, até já. Ele levanta a mão em garra e abana-a, esboçando um sorriso e um som tão particular como explícito. Grrrraaaurrrr.
Quando fica nervoso começa a tremer muito e morde um guardanapo. Como no outro dia em que os senhores doutores discutiam o caso à frente dele e diziam que não valia a pena pedir consulta de neurologia, porque não há nada a oferecer. Não pediram consulta de neurologia. Mas ele precisa. Precisa de consulta de neurologia, gastroenterologia, pneumologia, psicologia, reabilitação, fisioterapia e, acima de tudo, precisa de carinho. Precisa que não o abandonem. Precisa que alguém lhe faça um fixe e lhe peça um grrrraaaurrr.
Ele gosta de festinhas, provavelmente mais do que de colher sangue para análises.
Hoje caiu na casa de banho. Pôs a mão à frente da cabeça e, como tem a pele fininha, lacerou o antebraço. Perdeu um retalho grande de pele. Quando cheguei ao quarto mordia o guardanapo e tremia com a ansiedade e com as dores.
Nunca mais o vão deixar ir à casa de banho sozinho, que era a única coisa que o fazia sentir-se independente.
Na cama 8 está o Sr. João, com aquele ar inocente e aluado, fofinho... Sempre a dizer-me desculpe senhor doutor, obrigado senhor doutor, muito obrigado e desculpe... senhor doutor.
sábado, 19 de novembro de 2016
Bigotry
"Each act, each occasion, is worse than the last, but only a little worse. You wait for the next and the next. You wait for one great shocking occasion, thinking that others, when such a shock comes, will join with you in resisting somehow. You don’t want to act, or even talk, alone; you don’t want to ‘go out of your way to make trouble.’ Why not?—Well, you are not in the habit of doing it. And it is not just fear, fear of standing alone, that restrains you; it is also genuine uncertainty.
But the one great shocking occasion, when tens or hundreds or thousands will join with you, never comes. That’s the difficulty. If the last and worst act of the whole regime had come immediately after the first and smallest, thousands, yes, millions would have been sufficiently shocked—if, let us say, the gassing of the Jews in ’43 had come immediately after the ‘German Firm’ stickers on the windows of non-Jewish shops in ’33. But of course this isn’t the way it happens. In between come all the hundreds of little steps, some of them imperceptible, each of them preparing you not to be shocked by the next. Step C is not so much worse than Step B, and, if you did not make a stand at Step B, why should you at Step C? And so on to Step D."
But the one great shocking occasion, when tens or hundreds or thousands will join with you, never comes. That’s the difficulty. If the last and worst act of the whole regime had come immediately after the first and smallest, thousands, yes, millions would have been sufficiently shocked—if, let us say, the gassing of the Jews in ’43 had come immediately after the ‘German Firm’ stickers on the windows of non-Jewish shops in ’33. But of course this isn’t the way it happens. In between come all the hundreds of little steps, some of them imperceptible, each of them preparing you not to be shocked by the next. Step C is not so much worse than Step B, and, if you did not make a stand at Step B, why should you at Step C? And so on to Step D."
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Shush
Eu continuo a vir aqui muitas vezes mas o efeito já não é o mesmo. O sítio é o mesmo, as músicas são as mesmas, a luz ambiente é a mesma, os cigarros são os mesmos, as árvores são as mesmas (mais folhas menos folhas), as pessoas é como se fossem as mesmas também. O efeito não. O efeito é diferente. Não o saberia explicar bem mesmo que estivesse disposto a tentar.
Estou mais ansioso que o que tem sido habitual, o que não é comum.
Estou mais ansioso que o que tem sido habitual, o que não é comum.
terça-feira, 15 de novembro de 2016
Nostalgia
Estive em Leiria este fim-de-semana durante três horas.
Foram os pequenos momentos e os pormenores insignificantes que me fizeram recordar uma definição de nostalgia que li mais que uma vez mas que agora não me lembro o que dizia.
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
terça-feira, 1 de novembro de 2016
I’m definitely the coming home for Christmas to spend it with my mother type
You're writing your life story?!
You bet i am!
Am i in it?
You just entered...
You bet i am!
Am i in it?
You just entered...
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Are you gonna fall apart again?
All dolled-up in straps, all colored in
Now, love, where have you been?
Dolled-up in straps, all colored in
Now, love, where have you been?
Where have you been?
Now, love, where have you been?
Dolled-up in straps, all colored in
Now, love, where have you been?
Where have you been?
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Sau.da.de
Subs fem: sentimento de mágoa e nostalgia, causado pela ausência, desaparecimento, distância ou privação de pessoas, épocas, lugares ou coisas a que se esteve afectiva e ditosamente ligado e que se desejaria voltar a ter presentes.
segunda-feira, 18 de julho de 2016
A huge turd in the backseat of my car
Vi isto na Sic Radical praí em 2004. Procurei este vídeo várias vezes desde então. Hoje finalmente encontrei-o.
Sinto-me feliz.
sexta-feira, 15 de julho de 2016
28
Só três pessoas se lembraram do meu aniversário. A Diana, a Cristina e a Sofia. Soube-me bem, sinto-me bem.
Comecei este blog há quatro anos e meio por motivos e convicções totalmente diferentes das que tenho hoje. O ódio transformou-se em indiferença.
Sou a mesma pessoa, mas às vezes muito, muito, muito mais feliz. Menos criativo, mas mais feliz.
Consegui!!!
quarta-feira, 13 de julho de 2016
terça-feira, 12 de julho de 2016
domingo, 10 de julho de 2016
sexta-feira, 8 de julho de 2016
O cemitério perto de casa
No outro dia, quando caminhávamos pelo cemitério perto de casa
Perguntaste-me se eu achava que algum dia morreríamos;
Disseste-me que se a vida e o amor se esvanecem assim,
Fizemos dela uma vida previsível
Então imaginei-nos como cadáveres, lado a lado, aos bocados
Na forma de um qualquer sangue escuro e sozinho debaixo de um arco
Parecíamos tão palermas, todos decompostos, transformados em pó, de roupas esfarrapadas
Tal e qual parecemos agora
Somos dois actores a meio de um acto
Memorizaste as tuas falas?
Eu memorizei as minhas. É esta a parte em que fico zangado
Digo-te que não consigo esquecer o passado, enquanto tu ficas sossegada,
Como uma menina perdida e sozinha, a pedir que não dure muito
Os momentos passaram
Desafiei toda gente e ainda te amo
E se tu morreres antes de mim, vou adormecer com a memória de ti,
E sonhar com o lugar onde te encontras
Porque é melhor amar, ganhando, perdendo ou morrendo,
E eu vou-te amar até que morras.
Perguntaste-me se eu achava que algum dia morreríamos;
Disseste-me que se a vida e o amor se esvanecem assim,
Fizemos dela uma vida previsível
Então imaginei-nos como cadáveres, lado a lado, aos bocados
Na forma de um qualquer sangue escuro e sozinho debaixo de um arco
Parecíamos tão palermas, todos decompostos, transformados em pó, de roupas esfarrapadas
Tal e qual parecemos agora
Somos dois actores a meio de um acto
Memorizaste as tuas falas?
Eu memorizei as minhas. É esta a parte em que fico zangado
Digo-te que não consigo esquecer o passado, enquanto tu ficas sossegada,
Como uma menina perdida e sozinha, a pedir que não dure muito
Os momentos passaram
Desafiei toda gente e ainda te amo
E se tu morreres antes de mim, vou adormecer com a memória de ti,
E sonhar com o lugar onde te encontras
Porque é melhor amar, ganhando, perdendo ou morrendo,
E eu vou-te amar até que morras.
sexta-feira, 17 de junho de 2016
Culambistas e sebenteiros
O mundo está a abarrotar deles. São às dezenas, às centenas e aos milhares. Bah!!!
Imaqtpie
Tenho quase 30 anos, faço a minha vida sem dar satisfações a ninguém, ganho ordenado, fumo, sou todo mau feitio e merdas que tais... mas ligo à minha mãe furioso, a perguntar o que fazer quando uma aventesma qualquer me bate no carro estacionado e foge.
O outro ligou ao papá porque o jipe ficou sem bateria. O jipe. Lol
segunda-feira, 6 de junho de 2016
What's to say for the days I cannot bear?
All I want is the best for our lives my dear
and you know my wishes are sincere.
and you know my wishes are sincere.
quarta-feira, 1 de junho de 2016
quarta-feira, 25 de maio de 2016
segunda-feira, 16 de maio de 2016
sexta-feira, 13 de maio de 2016
quinta-feira, 28 de abril de 2016
quarta-feira, 20 de abril de 2016
terça-feira, 19 de abril de 2016
sexta-feira, 25 de março de 2016
sexta-feira, 18 de março de 2016
sábado, 12 de março de 2016
domingo, 6 de março de 2016
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Uma rapariga que conheci há pouco mais de um mês convidou-me para tomar café e dar um passeio por Coimbra. Sem motivo particular. Decidi ir, sem razão do contrário. Não é fácil tirar-me de casa a um Domingo, muito menos de dia.
Sentámo-nos num café e falámos de coisas sem relevância. Depois passeámos pela alta cidade. Comentei os lugares e as memórias e aquilo que tudo seria de facto se não fosse eu a comentar.
"És tão estranho.", acho que mo disse mais de dez vezes em menos de três horas.
O leitor de música do carro passava The National. Ela tem uma música favorita e não se lembra do nome. Qualquer coisa sobre uma parede alta.
Foi bom, contra as minhas expectativas. Conversar sobre coisas que me pertencem não foi tão horrível quanto se podia prever.
Sentámo-nos num café e falámos de coisas sem relevância. Depois passeámos pela alta cidade. Comentei os lugares e as memórias e aquilo que tudo seria de facto se não fosse eu a comentar.
"És tão estranho.", acho que mo disse mais de dez vezes em menos de três horas.
O leitor de música do carro passava The National. Ela tem uma música favorita e não se lembra do nome. Qualquer coisa sobre uma parede alta.
Foi bom, contra as minhas expectativas. Conversar sobre coisas que me pertencem não foi tão horrível quanto se podia prever.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
"Well, technically speaking, the operation is brain damage, but it's on a par with a night of heavy drinking. Nothing you'll miss."
Vem-me vastas vezes à memória aquele maço de tabaco verde em que ele pegou ainda dentro do carro. Nunca descobri de que marca era. Não reparei na altura. Estava muito mais nervoso que eu. Lembro-me que fumou 3 ou 4 cigarros em 10 minutos. Gostei disso.
Vem-me vastas vezes à memória aquele maço de tabaco verde em que ele pegou ainda dentro do carro. Nunca descobri de que marca era. Não reparei na altura. Estava muito mais nervoso que eu. Lembro-me que fumou 3 ou 4 cigarros em 10 minutos. Gostei disso.
"Dói-me a cabeça, e isto quer dizer que tenho consciência de uma ofensa que a matéria me faz, e que, porque como todas as ofensas, me indigna, me predispõe para estar mal com toda a gente, incluindo a que está próxima porém me não ofendeu.
O meu desejo é de morrer, pelo menos temporariamente, mas isto, como disse, só porque me dói a cabeça. (...)
Dói-me a cabeça porque me dói a cabeça. Dói-me o universo porque a cabeça me dói. Mas o universo que realmente me dói não é o verdadeiro, o que existe porque não sabe que existo, mas aquele, meu de mim, que, se eu passar as mãos pelos cabelos, me faz parecer sentir que eles sofrem todos só para me fazerem sofrer."
O meu desejo é de morrer, pelo menos temporariamente, mas isto, como disse, só porque me dói a cabeça. (...)
Dói-me a cabeça porque me dói a cabeça. Dói-me o universo porque a cabeça me dói. Mas o universo que realmente me dói não é o verdadeiro, o que existe porque não sabe que existo, mas aquele, meu de mim, que, se eu passar as mãos pelos cabelos, me faz parecer sentir que eles sofrem todos só para me fazerem sofrer."
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
"You future ditch digging piece of shit. I hate you so much. I hate you so much that i'm gonna fuck your mom and not call her. I'm gonna ruin her summer. I'm gonna fuck your mom twice and then never call her.
And i don't know about your dad cuz he ran out on you, but i'm gonna find him, him gonna turn myself gay and i'm gonna fuck him too. I'm gonna suck his dick so good that he just has to change his whole life. I'm gonna move into a place with him in the village for a couple of months, he'll cut off ties to his whole life. And then i'll go to some Christian Turn You Not Gay place and i'll come back and say "Screw you faggot" to make him feel bad inside, like what has he done?!"
And i don't know about your dad cuz he ran out on you, but i'm gonna find him, him gonna turn myself gay and i'm gonna fuck him too. I'm gonna suck his dick so good that he just has to change his whole life. I'm gonna move into a place with him in the village for a couple of months, he'll cut off ties to his whole life. And then i'll go to some Christian Turn You Not Gay place and i'll come back and say "Screw you faggot" to make him feel bad inside, like what has he done?!"
Odeio toda a gente. Não há uma única pessoa, com quem tenha contactado ou contacte diariamente, que não odeie visceralmente.
Talvez isto queira dizer alguma coisa. Talvez um dia ganhe coragem.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
domingo, 14 de fevereiro de 2016
"you had a crying bench and it was by a bridge and
the bridge was over a river and you sat on the crying
bench every night and wept for the lovers who had
hurt and forgotten you. I wrote back but never
heard again. a friend wrote me of your suicide
3 or 4 months after it happened. if I had met you
I would probably have been unfair to you or you
to me. it was best like this."
the bridge was over a river and you sat on the crying
bench every night and wept for the lovers who had
hurt and forgotten you. I wrote back but never
heard again. a friend wrote me of your suicide
3 or 4 months after it happened. if I had met you
I would probably have been unfair to you or you
to me. it was best like this."
Feliz dia de São Valentim, Zé Pedro.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
"I don't care, i can't be hurt. I can't be. I'm 45 yo. It's like you can't jerk off to the same picture more than 3 or 4 times. Then it becomes nothing more than just a piece of paper. That's how all my feelings are now. Thats how all my emotions and impulses are. Believe me, i know about that, i've done that. It's fine."
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
AV
"entre a saliva e os sonhos há sempre
uma ferida de que não conseguimos
regressar
e uma noite a vida
começa a doer muito
e os espelhos donde as almas partiram
agarram-nos pelos ombros e murmuram
como são terríveis os olhos do amor
quando acordam vazios"
uma ferida de que não conseguimos
regressar
e uma noite a vida
começa a doer muito
e os espelhos donde as almas partiram
agarram-nos pelos ombros e murmuram
como são terríveis os olhos do amor
quando acordam vazios"
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
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