domingo, 23 de novembro de 2014

Rotundas e estacionamentos - ZM

Vendi o ZM!
E com ele os momentos e as intenções e as memórias conduzidas. A sua personalidade vincada, circular e estacionada, vendi-a! Vendi as pessoas que o guiaram, as que não guiaram, as que foram no pendura e as do banco de trás. Vendi os anos de faculdade, as viagens de férias, os pequenos amores e os grande amores. Os amores eternos e os que são mesmo eternos. E os que durarão mais que a eternidade, vendi-os também. Vendi metade da alma. Vendi o que me restava daquilo que já não era meu. Vendi os milhares de lágrimas que caíram nos estofos e os milhões de gargalhadas que soltei sozinho, desalmadamente, ao lembrar-me de coisas ao calhas. Tão desalmadamente como estou agora, tão ao calhas como o vendi.
E as vezes que dormi lá dentro à espera de uma solução mágica para o desespero. E os relatos do Benfica e o murros no volante com golos dos corruptos... Vendi tanta coisa que já nem sei se valerá a pena guardar o que ficou.
Não foi um bom negócio, não! foi o negócio possível! A vida é mesmo assim, aproveitar as oportunidades e rezar para não nos arrependermos. Se no arrependemos é uma merda, digo-o por experiência própria.
Mas pronto, dizem que Deus escreve direito por linhas tortas. Os que o dizem provavelmente serão os mesmos que falam aos gritos e entoam caralhadas de meia-noite no café. Eu vou meditar no oportunismo filosófico da primeira e lavar a alma, ou o que me resta dela, na assertividade brejeira da segunda.

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