domingo, 30 de novembro de 2014
Guimarães
Que cidade mágica!, que perfume emana e quanto lhe acrescentam as pessoas da terra.
Imaginei passeios românticos e caminhadas à noite pela baixa, sob proteção das muralhas. Imaginei bem, imaginei fortemente. A imaginação, quando poderosa, faz coisas bonitas e é o bastante para afagar a alma.
Imaginei passeios românticos e caminhadas à noite pela baixa, sob proteção das muralhas. Imaginei bem, imaginei fortemente. A imaginação, quando poderosa, faz coisas bonitas e é o bastante para afagar a alma.
Caos
A barra de volume do rádio novo não tem algarismos, por isso eu não consigo deixar o volume no 10 quando desligo o carro. :S
Espero que este facto não me traga consequências negativas de maior, e a vida possa continuar a decorrer suavemente, sem grandes intercorrências e tragédias por ele anunciadas.
Espero que este facto não me traga consequências negativas de maior, e a vida possa continuar a decorrer suavemente, sem grandes intercorrências e tragédias por ele anunciadas.
domingo, 23 de novembro de 2014
Rotundas e estacionamentos - ZM
Vendi o ZM!
E com ele os momentos e as intenções e as memórias conduzidas. A sua personalidade vincada, circular e estacionada, vendi-a! Vendi as pessoas que o guiaram, as que não guiaram, as que foram no pendura e as do banco de trás. Vendi os anos de faculdade, as viagens de férias, os pequenos amores e os grande amores. Os amores eternos e os que são mesmo eternos. E os que durarão mais que a eternidade, vendi-os também. Vendi metade da alma. Vendi o que me restava daquilo que já não era meu. Vendi os milhares de lágrimas que caíram nos estofos e os milhões de gargalhadas que soltei sozinho, desalmadamente, ao lembrar-me de coisas ao calhas. Tão desalmadamente como estou agora, tão ao calhas como o vendi.
E as vezes que dormi lá dentro à espera de uma solução mágica para o desespero. E os relatos do Benfica e o murros no volante com golos dos corruptos... Vendi tanta coisa que já nem sei se valerá a pena guardar o que ficou.
Não foi um bom negócio, não! foi o negócio possível! A vida é mesmo assim, aproveitar as oportunidades e rezar para não nos arrependermos. Se no arrependemos é uma merda, digo-o por experiência própria.
Mas pronto, dizem que Deus escreve direito por linhas tortas. Os que o dizem provavelmente serão os mesmos que falam aos gritos e entoam caralhadas de meia-noite no café. Eu vou meditar no oportunismo filosófico da primeira e lavar a alma, ou o que me resta dela, na assertividade brejeira da segunda.
E com ele os momentos e as intenções e as memórias conduzidas. A sua personalidade vincada, circular e estacionada, vendi-a! Vendi as pessoas que o guiaram, as que não guiaram, as que foram no pendura e as do banco de trás. Vendi os anos de faculdade, as viagens de férias, os pequenos amores e os grande amores. Os amores eternos e os que são mesmo eternos. E os que durarão mais que a eternidade, vendi-os também. Vendi metade da alma. Vendi o que me restava daquilo que já não era meu. Vendi os milhares de lágrimas que caíram nos estofos e os milhões de gargalhadas que soltei sozinho, desalmadamente, ao lembrar-me de coisas ao calhas. Tão desalmadamente como estou agora, tão ao calhas como o vendi.
E as vezes que dormi lá dentro à espera de uma solução mágica para o desespero. E os relatos do Benfica e o murros no volante com golos dos corruptos... Vendi tanta coisa que já nem sei se valerá a pena guardar o que ficou.
Não foi um bom negócio, não! foi o negócio possível! A vida é mesmo assim, aproveitar as oportunidades e rezar para não nos arrependermos. Se no arrependemos é uma merda, digo-o por experiência própria.
Mas pronto, dizem que Deus escreve direito por linhas tortas. Os que o dizem provavelmente serão os mesmos que falam aos gritos e entoam caralhadas de meia-noite no café. Eu vou meditar no oportunismo filosófico da primeira e lavar a alma, ou o que me resta dela, na assertividade brejeira da segunda.
sábado, 22 de novembro de 2014
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Paragráfico
Adie-se o chá das cinco e a conversa de circunstância. Fico feliz por vós. Moderadamente.
sábado, 15 de novembro de 2014
Não tenho preferência, desde que não sejam esses e esses e esses e esses
A bica e o cigarro custam basicamente o mesmo em todos os cafés da cidade, basta evitar aqueles que têm o sol de frente e lhes começa o dia ou a noite. Se disponibilizarem o jornal melhor ainda, desde que o possa ler do fim para o princípio.
Certo?
Todos temos pessoas com quem contactámos uma vez e ficámos pontualmente apaixonados.
A independência emocional e as ligações afectivas imaginárias tornam minhas as coisas que nunca o foram, ou que, tendo sido, tive que partilhar com outros como se eles fossem meus também.
A independência emocional e as ligações afectivas imaginárias tornam minhas as coisas que nunca o foram, ou que, tendo sido, tive que partilhar com outros como se eles fossem meus também.
MEC II
"Aprende-se muito sobre uma pessoa ou um povo quando se descobre o que lhes dá prazer. O exercício contrário – apurar como os enfurecer – é mais divertido e dá menos trabalho mas aprende-se menos.
Chatear um português nunca será muito diferente de chatear um ser humano. Mas dar-lhe um prazer particular – que outros povos não sentem – é acertar em cheio.
Quando se faz a um inglês ou a um americano uma pergunta cuja resposta é óbvia ("E ele aceitou os cem mil euros que ganhou?"), ele ou ela surpreende-se com a nossa estupidez e responde "of course" ou "what do you think?")
Eles ficam embarrassed com a nossa pergunta obtusa. Os portugueses, não. Deliram, tal é a alegria. Para nós, não há separação: há comunidade.
Pergunta-se (mesmo sinceramente) a um português: "E ele comeu os lagostins que lhe trouxeram ao preço das navalheiras?"
E ele responde, com êxtase empático: "Não! Chama-lhe parvo..."
O "não" é a ironia forçada e violenta dos portugueses que, por ser trocista, nem sequer tem direito a passar por sarcástico; muito menos irónico. A ironia juntamente com o irmão (o sentido de humor) são as maldições sem as quais todos os portugueses nascem abençoados.
O "chama-lhe parvo!" é a alegria de reconhecermos, em conjunto, que todos nós, por pouco oportunistas que sejamos, sabemos o que nos convém.
O prazer dos portugueses de responder "Não! Chama-lhe parvo!" é o raro prazer ontológico de dizer "Sim: é mesmo assim!"
Apesar de não sermos assim."
Chatear um português nunca será muito diferente de chatear um ser humano. Mas dar-lhe um prazer particular – que outros povos não sentem – é acertar em cheio.
Quando se faz a um inglês ou a um americano uma pergunta cuja resposta é óbvia ("E ele aceitou os cem mil euros que ganhou?"), ele ou ela surpreende-se com a nossa estupidez e responde "of course" ou "what do you think?")
Eles ficam embarrassed com a nossa pergunta obtusa. Os portugueses, não. Deliram, tal é a alegria. Para nós, não há separação: há comunidade.
Pergunta-se (mesmo sinceramente) a um português: "E ele comeu os lagostins que lhe trouxeram ao preço das navalheiras?"
E ele responde, com êxtase empático: "Não! Chama-lhe parvo..."
O "não" é a ironia forçada e violenta dos portugueses que, por ser trocista, nem sequer tem direito a passar por sarcástico; muito menos irónico. A ironia juntamente com o irmão (o sentido de humor) são as maldições sem as quais todos os portugueses nascem abençoados.
O "chama-lhe parvo!" é a alegria de reconhecermos, em conjunto, que todos nós, por pouco oportunistas que sejamos, sabemos o que nos convém.
O prazer dos portugueses de responder "Não! Chama-lhe parvo!" é o raro prazer ontológico de dizer "Sim: é mesmo assim!"
Apesar de não sermos assim."
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Legionella
A minha mãe está com medo da infeção. Está a desenroscar o chuveiro e a colocar lixívia na mangueira enquanto eu bebo café quente e escrevo coisas estúpidas.
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
God loves everybody, don't remind me
Existem saudades. Existem saudades de ter saudades. Existe nenhuma das duas anteriores. A segunda é mais fácil de resolver que a primeira. E a terceira é mais difícil de resolver que as duas primeiras em conjunto.
Ok! A opinião é minha, os sentimentos são meus e as memórias também me pertencem. Assim está bem porque posso fingir que controlo tudo.
Horários trocados
Tem o seu quê de poético quando fumo um cigarro ao nascer do sol. Hoje esteve mais frio que ontem e mais nevoeiro que anteontem. Não faz mal porque o casaco tem bolsos e a minha gaveta dos gorros não é de difícil acesso.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
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