Eu posso tolerar que a série acabe sem qualquer aviso prévio, que seja tudo desmontado em cima do joelho, sem qualquer densidade ou critério. Posso tolerar a morte de todos ou quase todos. Agora, aquilo que eu não consigo admitir, que me tira do sério, é que me privem desta personagem, sem justificação e sem sombra de arrependimento.
Foi mais uma desilusão. Daquelas que já se esperam, se é que isso tem sentido.
"Antevejo já com severo transtorno a morte anunciada do meu dia-a-dia. Não sou de estrelas, tão pouco de bruxarias. Enxergo sinais simples. Prevejo só a falta de futuro como um fardo nos ombros. Há uma crónica impressão de estorvo em cada um dos ciclos que passam, nos lugares que habito, na pessoa do outro." (4ª feira, 7 de Dezembro de 2011)
Esta versão é de uma música sobre saudade e sobre acontecimentos que ficaram por acontecer. Eu, por mim, gosto de fazer sempre as mesmas coisas, acontecer sempre da mesma forma. Canso-me menos e aborreço-me só o suficiente.
Lição da semana: nunca mais perguntar a um doente internado se sabe que dia é hoje.
Como é que era mesmo aquela anedota do burro a quem experimentaram dar cada vez menos comida, e quando estava quase desabituado de comer, morreu?
A minha mãe contava-me isso quando eu era miúdo mas de momento não me recordo.
House of Cards, Boardwalk Empire, Homeland, True Detective. Uma excelente maneira de libertar a imaginação e as rédeas do corpo depois de levar uma injecção na medula que me impede de mexer as pernas e até de controlar os esfíncteres.
Há lá coisas engraçadas: o médico que me vai operar publica um vídeo da cirurgia que me vai fazer. Se não for pedir muito, posso só escolher outra música de fundo? Esta era a que queria deixar para o meu funeral.
"Falar como dois amigos, brincar como duas crianças, discutir como namorados, proteger-se como dois irmãos e foder como estrelas porno... isto sim, é uma relação!"